O cenário para as ações brasileiras se deteriorou nas últimas seis semanas, com inflação acima da meta, ambiente político mais turbulento e aprovação da redução da jornada de trabalho. Estrangeiros retiraram R$ 14 bilhões da bolsa em maio e R$ 27 bilhões desde meados de abril.
Apesar do cenário desafiador, o BTG Pactual mantém visão positiva para a bolsa brasileira, que negocia a 9,4 vezes o lucro estimado para 12 meses excluindo Petrobras e Vale, e a 8,1 vezes com as duas empresas incluídas.
Itaú volta e Nubank deixa a carteira
O Itaú (ITUB4) retorna à carteira 10SIM com peso de 15%, no lugar do Nubank (ROXO34). O banco é visto como mais adequado para enfrentar um mercado de crédito mais desafiador e negocia a 8,6 vezes o lucro estimado para 2026.
O BTG entende que o Itaú oferece melhor relação risco-retorno no ambiente atual, com inflação elevada limitando o espaço do Banco Central para cortes mais expressivos de juros.
Equatorial entra e utilities chegam a 30% da carteira
A Equatorial (EQTL3) volta ao portfólio no lugar da Allos (ALOS3). A empresa é classificada como best-in-class no setor, com perfil defensivo e TIR real de 10,4%.
Com a entrada da Equatorial, o BTG aumenta a exposição ao setor elétrico para 30% da carteira. Axia (AXIA3) e Eneva (ENEV3) seguem na carteira, assim como a operadora de rodovias Motiva, que negocia a TIR real de 12%.
Para acomodar as mudanças, o peso da Localiza (RENT3) foi reduzido de 15% para 10%.
Petrobras mantida, mas com peso menor
A Petrobras (PETR4) permanece na carteira, mas com peso reduzido de 15% para 10%, em razão da perspectiva de resolução mais próxima do conflito no Oriente Médio.
O restante da carteira mantém Embraer (EMBJ3), Totvs (TOTS3) e Cury (CURY3). O BTG vê o Brasil como um dos poucos países com caminho claro para cortar juros no curto prazo e como exportador líquido de petróleo — fatores que sustentam a atratividade relativa da bolsa local.
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