A Netflix (NFLX; NFLX34) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 5,283 bilhões — praticamente o dobro dos US$ 2,890 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado surpreende não apenas pela magnitude, mas pelo ritmo de aceleração: em nenhum dos quatro trimestres de 2025 a companhia havia chegado sequer a US$ 3,2 bilhões de lucro líquido.
O lucro por ação diluído acompanhou o salto, chegando a US$ 1,23 no 1TRI26, ante US$ 0,66 no 1TRI25 — um avanço de 86% em doze meses. O número reflete também a estratégia consistente de recompra de ações: o total de papéis em circulação (base diluída) recuou de 4,370 bilhões no início de 2025 para 4,298 bilhões no trimestre mais recente.
A receita totalizou US$ 12,250 bilhões entre janeiro e março de 2026, crescimento de 16,2% na comparação anual. O ritmo é ligeiramente inferior ao pico de 17,6% registrado no quarto trimestre de 2025, mas segue robusto para uma empresa do porte da Netflix. Para o segundo trimestre, a própria companhia projeta receita de US$ 12,574 bilhões, o que representaria expansão de 13,5% sobre o 2T25.
Em meio aos resultados trimestrais, uma mudança: a empresa de streaming anunciou que Reed Hastings, cofundador e atual presidente do Conselho, sairá de seu cargo em junho, quando seu mandato expirar.
Margem operacional
A margem operacional ficou em 32,3% no trimestre — recuperação relevante frente aos 24,5% do 4T25, período historicamente pressionado por maiores investimentos em conteúdo. O lucro operacional de US$ 3,957 bilhões também supera todos os trimestres de 2025, com exceção do segundo, quando a margem atingiu seu pico recente de 34,1%.
A geração de caixa chamou atenção. O fluxo de caixa livre chegou a US$ 5,094 bilhões no 1T26, mais que o dobro dos US$ 2,661 bilhões do 1TRI25 e superior à soma dos dois últimos trimestres de 2025 combinados (US$ 4,532 bilhões). O caixa gerado pelas atividades operacionais também bateu recorde no período, alcançando US$ 5,290 bilhões.
O conjunto dos resultados reforça uma mudança de patamar na capacidade da Netflix de converter receita em lucro e caixa. Se em 2025 a empresa ainda equilibrava crescimento com custos elevados de expansão, o início de 2026 sugere que a fase de maior pressão sobre margens pode ter ficado para trás — ao menos por enquanto.







