A Natura (NATU3) detalhou os termos do acordo de acionistas proposto entre o bloco dos fundadores e a Advent — e o Bradesco BBI não viu ali motivo para mexer na recomendação. O documento vale até 2036, com opção de prorrogação por mais dez anos.
A participação da gestora sujeita ao acordo começaria em 8% do capital, com teto de 10%. Essa fatia inicial fica travada por 12 meses; o que exceder o limite não entra no lock-up.
Os gatilhos de saída e de perda de direitos
O acordo é rescindido se o bloco fundador cair abaixo de 25% ou se a posição da Advent recuar dos 8%. Há uma janela, contudo: passados três anos, basta que a gestora mantenha 5% para o contrato seguir de pé.
O texto também impõe um limite superior. Caso a Advent ultrapasse 15% e não reduza a posição em 120 dias, perde direitos de governança — entre eles os dois assentos no conselho, a participação em comitês e as prerrogativas ligadas a planos de opções.
Fora da eleição de conselheiros, não há obrigação de voto conjunto com os fundadores. Para o board, os nomes indicados são Juan Zucchini, sócio-diretor da Advent e presidente do conselho da Yduqs, e Rafael Patury, diretor executivo da gestora.
Por que o BBI não mudou de lado
“Os termos propostos são amplamente consistentes com o que havia sido contemplado anteriormente”, escreveram Pedro Pinto e Flávia Meireles, analistas do Bradesco BBI.
A leitura do banco é de neutralidade, com uma ressalva favorável: a chegada da Advent pode reforçar prestação de contas e senso de dono dentro da companhia, algo que os analistas veem com bons olhos.
“Permanecemos cautelosos quanto às perspectivas operacionais de curto prazo”, apontou Pedro Pinto, ao justificar a manutenção da recomendação neutra.
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