A Isa Energia (ISAE3; ISAE4) fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 173,9 milhões, queda de 32% ante o mesmo período do ano passado. A companhia, uma das maiores transmissoras de energia elétrica do país, atribuiu o recuo à alta na despesa financeira e a uma base de comparação elevada por um crédito tributário não recorrente em 2025.
O resultado operacional seguiu direção oposta. O Ebitda regulatório somou R$ 966,9 milhões no trimestre, avanço de 22,5% sobre os R$ 789,5 milhões de um ano antes. A margem Ebitda passou de 76,8% para 77,8%.
A receita líquida cresceu 20,9%, para R$ 1,243 bilhão. No acumulado do primeiro semestre, o indicador soma R$ 2,469 bilhões, alta de 14,3% sobre igual intervalo de 2025 — com o Ebitda semestral em R$ 1,988 bilhão e o lucro líquido em R$ 531,6 milhões, recuo de 10,4%.
Jacarandá e Piraquê impulsionam receita e Ebitda
Dois empreendimentos entraram em operação comercial no trimestre e já contribuem com Receita Anual Permitida (RAP). O Jacarandá recebeu o termo de liberação do Operador Nacional do Sistema Elétrico em 17 de abril, com efeito retroativo a 11 de abril.
Já o bloco 3 do Piraquê foi liberado em 11 de junho, dezesseis meses antes do prazo definido pela Aneel. O projeto somou investimento de R$ 3,85 bilhões, financiado integralmente por debêntures verdes de infraestrutura, e passou a receber R$ 359,3 milhões em RAP no ciclo tarifário 2026/2027.
Esse avanço, no entanto, conviveu com a perda de receita da RBSE, componente ligado a ativos antigos de transmissão. A receita da rubrica caiu 10,0%, para R$ 511,5 milhões, reflexo de uma decisão da Aneel de junho de 2025 que reduziu o componente financeiro pago à companhia.
Os custos operacionais (PMSO) subiram 13,0%, para R$ 210,8 milhões, com pressão em praticamente todas as linhas — pessoal, serviços e despesas gerais.
Dívida sobe e companhia faz follow-on após o trimestre
Enquanto o Ebitda cresceu, o resultado financeiro negativo saltou 81,7%, para R$ 638,9 milhões. A explicação está, principalmente, no perfil da dívida da companhia.
“O aumento se dá, principalmente, em função da maior posição de dívida bruta indexada ao IPCA (+R$ 4,0 bilhões) e, consequentemente à maior representatividade do IPCA como indexador da dívida da Companhia”, afirma a Isa Energia no relatório de resultados do trimestre.
Na prática, a fatia da dívida atrelada ao IPCA passou de 56% para 67% em um ano. Some a isso o próprio avanço da inflação no período — de 1,25% para 2,14% — e o efeito da maior dívida bruta, ampliada pelas emissões dos últimos doze meses, que somaram R$ 3,6 bilhões.
O lucro também sentiu a comparação com 2025, quando a companhia havia reconhecido um crédito tributário extemporâneo de R$ 77,5 milhões. Sem o efeito, o IRPJ/CSLL corrente do trimestre virou despesa de R$ 52,3 milhões, ante receita de R$ 11,3 milhões um ano antes.
A dívida líquida encerrou junho em R$ 16,289 bilhões, salto de 27% em doze meses e de 15,3% ante dezembro de 2025. Contudo, o prazo médio da dívida melhorou, para 8,7 anos, e o custo nominal médio recuou para 12,17% ao ano, de 12,36%.
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