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Natura: Bradesco BBI retira recomendação de compra

Natura: Bradesco BBI retira recomendação de compra

Prévia do segundo trimestre de 2026 abaixo do esperado, com receita em queda de dois dígitos no Brasil, derrubou a recomendação dos papéis

A Natura (NATU3) ficou sem a recomendação de compra do Bradesco BBI. Nesta quinta-feira (9), o banco rebaixou os papéis para neutro e reduziu o preço-alvo para R$ 10, depois que os indicadores preliminares do segundo trimestre de 2026 vieram abaixo do esperado.

Pesou também “a ausência de gatilhos claros para uma inflexão operacional no curto prazo“, escreveram os analistas Pedro Pinto e Ricardo França.

O número que mais incomodou veio de casa: a receita da operação brasileira caiu dois dígitos na comparação anual.

E o tropeço não é isolado — a decisão coroa uma sequência de balanços aquém das projeções que vem minando a paciência do mercado com a companhia de cosméticos.

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A lista de preocupações

O inventário de pendências é extenso. A dupla do BBI cita a fraqueza contínua das marcas Avon e Casa & Estilo, o desempenho da Natura no Brasil abaixo do esperado, a pressão sobre o capital de giro, o endividamento ainda alto e o esgotamento dos ganhos com corte de despesas.

Nem tudo veio para ficar: rupturas de produtos, ajustes comerciais e questões tributárias pontuais devem se dissipar.

Ainda assim, “a visibilidade sobre a recuperação dos resultados segue reduzida”, ponderaram Pinto e França.

Fachada de loja da Natura, gerada por IA

Juros altos engordam a conta da dívida

O cenário macro tampouco colabora.

“O ambiente de juros elevados aumenta a relevância do endividamento e pode continuar pressionando o resultado financeiro nos próximos trimestres”, alertou o time do Bradesco BBI.

Não se trata, contudo, de descrença na empresa. Os analistas reconhecem a força das marcas, a liderança em vários segmentos e o histórico de boa geração de caixa.

O problema está na entrega: “a companhia ainda precisa demonstrar maior consistência na execução de seu plano de recuperação“, avaliaram.

Há até um alento no calendário, já que as bases de comparação ficam mais amigáveis a partir do segundo semestre.

Por ora, no entanto, o banco prefere esperar: “o momento ainda exige cautela até que haja evidências mais concretas de estabilização das vendas e retomada sustentável da rentabilidade”, concluíram Pedro Pinto e Ricardo França.

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