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Vale: custo alto engole ganho de receita no 2º trimestre, diz BBI

Vale: custo alto engole ganho de receita no 2º trimestre, diz BBI

Produção de minério deve saltar 21% em três meses, para 84 milhões de toneladas, mas real forte e diesel caro pressionam o custo caixa

A Vale (VALE3) deve produzir e vender mais no segundo trimestre de 2026 — e, ainda assim, ganhar menos.

Na prévia do Bradesco BBI, “custos mais altos anulam a melhora na receita“, resumiram os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes, que projetam Ebitda ajustado de US$ 3,7 bilhões para a mineradora.

Do lado operacional, a máquina roda bem.

A produção de minério de ferro deve alcançar 84 milhões de toneladas, salto de 21% sobre o primeiro trimestre, “refletindo volumes incrementais de Capanema e Vargem Grande”, apontou a dupla, apesar das paralisações nas minas de Fábrica e Viga.

As vendas de minério e pelotas devem somar 77 milhões de toneladas, alta trimestral de 12%.

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Prêmio de qualidade encolhe

O preço, no entanto, não acompanha.

O minério fino realizado deve recuar 1%, para US$ 94,40 a tonelada, “pressionado por prêmios de qualidade menores”, explicaram Barcellos e Chanes — os índices de referência um pouco mais altos não foram suficientes para virar o sinal.

A escalada dos custos

O aperto maior está na linha de despesas.

O custo caixa C1, sem as compras de terceiros, deve subir US$ 2,80, para US$ 25 a tonelada, “refletindo a valorização do real, efeitos de defasagem de estoques, preços mais altos do diesel e a desconsolidação da Aliança Energia”, listaram os analistas do BBI.

A conta não para aí. Com o frete indo a US$ 22 por tonelada e despesas de distribuição maiores, o custo total deve atingir US$ 65,90 a tonelada. O resultado é um Ebitda de ferrosos de US$ 2,7 bilhões — queda de 7% frente ao primeiro trimestre.

Vale Níquel
(Imagem: Divulgação/ Vale Base Metals)

Metais básicos seguram a ponta

O contrapeso vem dos metais básicos, com Ebitda estimado em US$ 1,3 bilhão, acima dos US$ 1,2 bilhão do início do ano.

No níquel, o avanço projetado é de 18%, para US$ 328 milhões, “impulsionado principalmente por preços realizados mais fortes”, calcularam os analistas — alta de 7% que compensa as paradas de manutenção nas fundições.

O cobre completa o quadro com Ebitda de US$ 992 milhões, recuperação de 5% apoiada em preços e volumes sazonalmente melhores.

Há, contudo, um senão vindo de outro metal: as “receitas menores com subprodutos decorrentes da fraqueza nos preços do ouro”, observaram Rafael Barcellos e Renato Chanes, limitam o ganho da divisão.

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