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Não seja patriota (com seu dinheiro)

Não seja patriota (com seu dinheiro)

Ignorar 99,5% do mercado de ações e 98% do mercado de renda fixa é simplesmente irracional do ponto de vista da construção e manutenção do patrimônio

O mundo já entrou pela sala de estar, pelo bolso e pela mesa de jantar de cada brasileiro — mas ainda não chegou à carteira de investimentos. É com essa provocação que Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, abre seu argumento em favor da diversificação geográfica do patrimônio (assista ao vídeo abaixo).

O ponto de partida é o tamanho do Brasil no contexto global. A economia brasileira representa cerca de 2% do PIB mundial. No mercado de ações, a situação é ainda mais modesta: todas as empresas listadas na B3 somam menos de US$ 1 trilhão em valor de mercado, enquanto apenas as duas principais bolsas americanas acumulam US$ 70 trilhões.

A comparação constrange: o mercado acionário brasileiro é menor que o da África do Sul, da Indonésia e da Espanha. Enquanto o índice global tem 26% de peso em tecnologia — com Nvidia, Apple, Alphabet e Meta entre suas maiores posições —, a bolsa brasileira concentra mais da metade em finanças e energia. Itaú, Petrobras, Vale e Ambev são excelentes empresas, reconhece Custódio, mas representam a velha economia.

O segundo argumento é o câmbio. Desde sua criação, em 1994, o real perdeu 84% do valor frente ao dólar. As previsões dos economistas para a taxa de câmbio erram sistematicamente, o que torna inútil tentar acertar o “momento certo” de comprar dólar. A conclusão é direta: no longo prazo, a tendência estrutural favorece a moeda americana.

Defesa do valor do seu dinheiro

É aqui que entra o dado mais concreto do vídeo: um estudo da FGV aponta que o câmbio impacta diretamente 18% dos gastos das famílias brasileiras. Combustível, trigo, aço, petróleo — boa parte do que se consome no Brasil é precificada em dólar.

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Isso significa que a variação cambial pode alterar o custo de vida em até 18%, quase sempre para cima. A consequência lógica, defende Custódio, é que ter ao menos 18% do patrimônio investido no exterior ou exposto a moedas fortes deixa de ser agressividade e passa a ser proteção básica do poder de compra.

O quarto argumento é o risco soberano. O Brasil já decretou moratória cinco vezes na história. Estados Unidos e Reino Unido, nunca. Diversificar geograficamente é, também, reduzir o risco de calote.

“Ignorar 99,5% do mercado de ações e 98% do mercado de renda fixa é simplesmente irracional do ponto de vista da construção e manutenção do patrimônio”, conclui o CEO. Investidor inteligente, resume Custódio, não recusa almoço grátis.