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Moura Dubeux está barata, mas a oferta de ações pode mudar o jogo

Moura Dubeux está barata, mas a oferta de ações pode mudar o jogo

Safra vê a captação como positiva para sustentar um novo ciclo de crescimento. Mas a possível diluição, que pode chegar perto de 19%, tende a pesar no curto prazo

A Moura Dubeux (MDNE3) vinha encerrando 2025 com um ritmo operacional consistente e negociando a múltiplos comprimidos — uma combinação que, na prática, costuma atrair o investidor mais atento e ousado.

Mas um fato relevante divulgado nesta semana mudou o tom do noticiário e pode reprecificar a tese no curto prazo: a companhia informou que está avaliando uma oferta primária de ações, movimento que pode reforçar o caixa para acelerar o crescimento, mas também trazer uma diluição relevante para o acionista.

Na avaliação do Banco Safra, a operação tem racional estratégico e pode ser “construtiva” do ponto de vista de alocação de capital, embora o banco reconheça que o tamanho potencial da emissão tende a ser recebido com cautela pelo mercado — principalmente se o desenho final implicar uma diluição mais agressiva.

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O que aconteceu? Moura Dubeux avalia oferta primária de até R$ 500 milhões

A Moura Dubeux anunciou na noite de terça-feira (13) que está avaliando uma potencial oferta primária de ações. Segundo o Safra, o tamanho inicial seria de R$ 250 milhões, com possibilidade de aumento em mais R$ 250 milhões, totalizando até R$ 500 milhões.

No cenário base, a emissão representaria 9,7 milhões de novas ações, o que implicaria uma diluição de aproximadamente 10,2%. Caso a oferta seja ampliada para o teto estimado, a diluição poderia chegar a 18,6%, um patamar que tende a ganhar peso nas contas do investidor — especialmente em um papel que vinha sendo defendido pelo valuation baixo.

O Safra também aponta que os acionistas atuais teriam direito de subscrição proporcional na oferta, enquanto os controladores indicaram uma potencial participação de até R$ 90 milhões, equivalente a cerca de 36% do tamanho base.

Por que a oferta muda o jogo: crescimento mais rápido pode custar lucro por ação

O anúncio da captação tende a dominar o noticiário da companhia no curto prazo por um motivo simples: mesmo que a Moura Dubeux esteja negociando com valuation comprimido, uma emissão de ações nesse tamanho coloca em debate o impacto no lucro por ação e o preço final da oferta.

De um lado, o Safra ressalta que uma diluição potencial de até 18,6% pode gerar cautela, sobretudo considerando que a empresa já negocia a múltiplos baixos — o banco cita um valuation ao redor de 4,5x P/E, nível que costuma alimentar a tese de “ação barata”, mas que também aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer evento que mexa na base de capital.

Do outro, a leitura do banco é que a operação pode fazer sentido do ponto de vista de capitalização e crescimento.

Após anúncios recentes de dividendos, o Safra estima que o patrimônio líquido deve encerrar 2025 em torno de R$ 1,5 bilhão, patamar que pode se mostrar apertado para o tamanho atual da operação. Nesse contexto, a captação poderia apoiar um novo ciclo de expansão, com lançamentos estabilizando em torno de R$ 5 bilhões, acima do patamar atual de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Além disso, dependendo do desenho final, a oferta poderia melhorar a liquidez do papel. O Safra observa que, em um cenário em que os controladores não subscrevam, o free float poderia subir em cerca de 3,3 pontos percentuais, para 67,4%, um fator que costuma ser bem-vindo por investidores institucionais.

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Para onde vai o dinheiro: aceleração da Única e reforço de flexibilidade financeira

Ainda que os detalhes de alocação não tenham sido formalmente definidos, o Safra avalia que os recursos líquidos da operação devem ser direcionados principalmente para apoiar e acelerar o crescimento da marca Única, braço da companhia com foco no segmento de baixa renda.

O banco também aponta que o caixa pode servir para dar suporte ao pagamento antecipado de dividendos já anunciados — cerca de R$ 352 milhões no total, com R$ 50 milhões distribuídos trimestralmente até o 3TRI27 — além de reforçar capital de giro e objetivos corporativos gerais, ampliando a flexibilidade financeira.

Na prática, é esse “destino do dinheiro” que deve determinar o tom do mercado: se o investidor entender que a emissão acelera um crescimento com retorno claro e melhora a capacidade de execução, a oferta pode ser vista como uma alavanca de valor. Mas se a leitura for de que a operação aumenta o ruído e dilui o acionista sem clareza sobre retorno, o papel pode sentir no curto prazo.

O pano de fundo: 4TRI25 sólido e 2025 em ritmo forte sustentam a tese

A discussão sobre a oferta acontece em um momento em que a Moura Dubeux entregou números operacionais sólidos no quarto trimestre de 2025, segundo o Safra. Em relatório de prévia operacional, o banco afirma que a companhia reportou resultados em linha com suas estimativas, com atividade robusta de lançamentos e vendas de estoque em níveis considerados resilientes.

No trimestre, a empresa lançou três empreendimentos, totalizando R$ 988 milhões em PSV líquido, enquanto as vendas líquidas somaram R$ 698 milhões — desempenho que ajudou a manter o ritmo de comercialização em patamar saudável.

Apesar disso, o Safra destaca que o alto volume de obras em andamento levou a companhia a encerrar o trimestre com uma queima de caixa de R$ 28 milhões, ponto que tende a entrar no radar em um momento em que o mercado discute reforço de capital e alocação de recursos.

Ainda assim, o banco vê um pano de fundo favorável para 2026. O Safra afirma que a empresa fechou 2025 com lançamentos em recorde histórico, de R$ 4,6 bilhões, e com nível de estoque equivalente a 12 meses de vendas — o menor entre as incorporadoras listadas de média e alta renda.

O que o Safra recomenda: Outperform e upside de 51%, mas com oferta no centro do radar

Mesmo com o ruído potencial da captação, o Safra mantém recomendação Outperform para MDNE3 e preço-alvo de R$ 39, o que representa um upside de 51% em relação ao preço de referência usado pelo banco (R$ 25,90).

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O argumento central é que, apesar da oferta, a tese segue sustentada por execução operacional e valuation baixo. O Safra reforça que enxerga a ação negociando a um P/E de 4,4x em 2026E, nível que, na visão do banco, justifica a recomendação positiva.

Agora, o mercado deve voltar sua atenção para três pontos:

  • o preço e o tamanho final da oferta,
  • o detalhamento do uso dos recursos — especialmente a aceleração da Única — e
  • o equilíbrio entre crescimento e retorno ao acionista.

A Moura Dubeux segue “barata” nos números, mas, a partir daqui, o que deve determinar o desempenho do papel no curto prazo é a forma como a empresa vai estruturar esse novo capítulo.