A RD (RADL3) anunciou nesta manhã a venda da 4Bio, sua unidade de negócios de medicamentos especiais, para o Grupo Profarma, controlador da d1000 (DMVF3), por um valor de R$ 600 milhões — equivalente a 7 vezes o Ebitda da operação. A transação inclui R$ 80 milhões em caixa retidos pela 4Bio e outros ajustes de capital de giro e dívida líquida, resultando em um “equity value” de aproximadamente R$520 milhões para a RD.
A estrutura de pagamento foi desenhada em etapas: R$ 100 milhões serão pagos no fechamento — o que representa entrada líquida de cerca de R$ 20 milhões, considerando o caixa na 4Bio — seguidos por cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões cada, corrigidas pelo CDI.
A RD ainda mantém o direito de reconhecer R$ 120 milhões em benefícios fiscais diferidos relacionados ao Difal e espera um ganho fiscal adicional de R$ 60 milhões com a operação. O negócio ainda depende de aprovação do Cade e do cumprimento de outras condições precedentes.
Os motivos da transação para a RD
Para os analistas Danniela Eiger, Laryssa Sumer e Pedro Caravina, da XP Investimentos, a lógica da transação é clara.
“Vemos o anúncio alinhado ao foco crescente da RD em seu negócio principal de varejo, dado que a dinâmica da 4Bio possui margens e retornos menores e é mais sinérgica com uma empresa farmacêutica, como a Profarma”, afirmam.
PublicidadePublicidade
Os números justificam a avaliação: a margem Ebitda da 4Bio nos últimos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025 era de apenas 2,5%, ante 7,9% no varejo da RD — uma diferença que pesava sobre os indicadores consolidados da companhia.
O BTG Pactual, por meio dos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, endossa a estratégia.
Para o banco, “ao sair de um negócio de menor retorno, similar à distribuição farmacêutica, a RD fortalece seu balanço e melhora métricas de rentabilidade, incluindo o ROIC”.
O BTG classifica a operação como “estrategicamente coerente e financeiramente acretiva, melhorando a eficiência de capital enquanto permite à gestão realocar recursos para iniciativas de varejo de maior retorno.”
Para a Profarma, a aquisição representa um salto relevante na operação de medicamentos especiais, segmento com dinâmica própria e barreiras de entrada elevadas — mais próximo da distribuição especializada do que do varejo tradicional, e portanto mais aderente ao perfil do grupo comprador.
A XP reitera recomendação de compra para as ações da RD, citando o forte momentum de lucros impulsionado pelos medicamentos GLP-1 e a execução consistente da gestão como os principais catalisadores à frente. O BTG também indica a compra, com preço-alvo de R$ 30.






