As BDRs da Micron Technology (MUTC34) sobem 9% na B3 nesta quinta-feira (25), em reação aos resultados excepcionais divulgados pela companhia no terceiro trimestre fiscal de 2026. A empresa registrou receita, lucratividade e lucro por ação recordes, superando amplamente as expectativas do mercado em todos os principais indicadores financeiros.
A receita atingiu US$ 41,46 bilhões, superando em 16% a estimativa do mercado de US$ 35,69 bilhões, enquanto o lucro por ação ajustado de US$ 25,11 excedeu o consenso de US$ 20,49 em cerca de 23%.
“Os resultados reforçam ainda mais nossa visão otimista sobre o ciclo de memória impulsionado pela IA”, afirmou o analista Luis Mollo, do BTG Pactual.
Resultados recordes em todas as linhas
A margem bruta expandiu-se para um recorde histórico de 84,9%, bem acima dos 81,9% esperados pelo mercado. O lucro operacional atingiu US$ 33,68 bilhões, contra o consenso de US$ 27,86 bilhões, enquanto o EBITDA totalizou US$ 36,05 bilhões — alta de 16% em relação ao esperado.
“O trimestre foi impulsionado pelo desempenho operacional subjacente, apoiado por preços mais altos, mix de produtos favorável e execução excepcional em todos os mercados finais”, destacou Mollo.
Os preços médios de venda da DRAM subiram mais de 60% na comparação trimestral, e os da NAND avançaram aproximadamente 80% no mesmo período. Entretanto, o que mais chama atenção é que esse ciclo continua sendo impulsionado principalmente pelos preços, e não pelos volumes — indicando que a dinâmica favorável pode persistir por mais tempo do que o mercado antecipava.
Data centers e HBM puxam crescimento
A receita da área de data centers ultrapassou US$ 25 bilhões, representando cerca de 60% da receita total da empresa, enquanto a receita de SSDs para data centers mais que dobrou em relação ao trimestre anterior.
A produção de HBM4 — memória de alta largura de banda essencial para infraestrutura de IA — cresce significativamente mais rápido do que nas gerações anteriores, fortalecendo o posicionamento competitivo da Micron.
O anúncio de maior importância estratégica foi a divulgação de 16 Acordos Estratégicos com Clientes (SCAs) com líderes globais, incluindo compromissos do tipo “take-or-pay” e depósitos totalizando aproximadamente US$ 22 bilhões.
“Esses acordos representam uma evolução estrutural no modelo de negócios da Micron, transformando efetivamente uma empresa de semicondutores tradicionalmente cíclica em uma fornecedora com receitas cada vez mais garantidas por contrato”, avaliou Luis Mollo.
Guidance supera expectativas
Para o quarto trimestre fiscal, a administração projetou receita de aproximadamente US$ 50 bilhões e LPA ajustado de US$ 31,00 — bem acima do consenso de US$ 43,2 bilhões e US$ 25,31, respectivamente.
“A demanda do setor continua a exceder significativamente a oferta disponível, e a empresa ainda não tem uma visão clara de quando a oferta alcançará totalmente a demanda”, ressaltou Mollo, reforçando a perspectiva de preços favoráveis por período mais longo.
Os resultados contestam diretamente a narrativa negativa que havia derrubado as ações da Samsung Electronics e da SK Hynix em mais de 12% no início da semana, puxando o índice KOSPI para uma queda de aproximadamente 10%.
“Esperamos que os resultados de hoje ofereçam uma perspectiva positiva para o setor de memória como um todo, ao mesmo tempo em que reforçam a confiança em empresas com perfil de investimento em infraestrutura de IA”, concluiu Luis Mollo, do BTG Pactual, mantendo visão construtiva sobre o superciclo da memória.
Leia também:






