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Menor múltiplo entre pares globais: por que o Safra vê 36,5% de retorno em Bemobi

Menor múltiplo entre pares globais: por que o Safra vê 36,5% de retorno em Bemobi

Companhia processa cerca de um terço do volume que já poderia atender dentro dos clientes que tem, o que sustenta a tese de crescimento

O Safra iniciou a cobertura de Bemobi (BMOB3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35,00 por ação em 12 meses, o que implica retorno total de 36,5%. A companhia opera uma plataforma de software e pagamentos que administra a cobrança recorrente de prestadores de serviços essenciais.

O argumento central é o tamanho do espaço ainda por ocupar. O banco estima um mercado endereçável total de cerca de R$ 1 trilhão e um mercado efetivamente atendível de aproximadamente R$ 42 bilhões, contra um volume transacionado anualizado próximo de R$ 13 bilhões.

“A companhia captura cerca de um terço do que já pode atender”, apontam Silvio Doria e Guilherme Bellizzi Motta, analistas do Safra.

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A projeção é de que o volume transacionado saia de R$ 15,6 bilhões em 2026 para R$ 34 bilhões em 2030, puxado principalmente pela penetração maior dentro da base atual, que inclui 15 dos 20 maiores prestadores de serviços essenciais do país.

Um produto que se paga no cliente

Contas de luz, água e mensalidades escolares seguem como o canto menos digitalizado dos pagamentos brasileiros, ainda concentradas em boleto e débito automático.

Os emissores costumam não ter engenharia própria para administrar Pix, cartões e carteiras digitais, e é essa camada que a companhia fornece, integrada aos sistemas legados do cliente, cobrando uma taxa sobre cada conta que migra para o ecossistema.

“A empresa entrega nas três métricas que importam para quem emite a cobrança: conversão cerca de 30% maior, custos de transação 35% menores e inadimplência até 40% menor”, observam Doria e Motta. A taxa cobrada fica abaixo do custo que substitui, já que é menor do que o emissor já paga para receber por boleto.

O banco também destaca o efeito de referência entre clientes do mesmo setor e o custo alto de troca de fornecedor, com nenhuma conta de pagamentos perdida até hoje.

Desconto em qualquer métrica

O modelo exige pouco capital. O investimento fica perto de 6% da receita, e o Ebitda descontado do capex supera 80% do próprio Ebitda, o que sustenta um dividend yield acima de 9%. As projeções apontam crescimento de receita de 17% e margem Ebitda de 34,4%, com a companhia em posição de caixa líquido.

“Avaliando assinaturas e microcrédito por múltiplos de encerramento, o valor da firma atual deixa a unidade de pagamentos a 6,3 vezes o Ebitda de 2027, abaixo de Fiserv, Global Payments, Flywire e Paymentus”, projetam Silvio Doria e Guilherme Bellizzi Motta, analistas do Safra.

Na soma das partes, com múltiplos considerados mais justos, o valor chegaria a R$ 36 por ação em linha com a Flywire, e a R$ 45 se comparado às empresas brasileiras de software, que negociam a 12 vezes.