Bradesco BBI, BTG Pactual e XP convergem que o novo pacote de combustíveis traz um alívio financeiro para a Petrobras (PETR4), principalmente por causa do subsídio adicional de R$ 1 por litro de diesel. O mecanismo permite que a companhia eleve o preço realizado sem aumentar, na mesma proporção, o custo pago pelas distribuidoras.
As estimativas variam conforme o período e as premissas utilizadas. O BBI calculou um acréscimo anualizado de US$ 6,5 bilhões ao fluxo de caixa livre para o acionista, equivalente a um retorno incremental próximo de 5%. A XP estimou US$ 5,9 bilhões, ou 4,8%, somente com o diesel. Já o BTG projetou US$ 3,4 bilhões em receitas adicionais caso as medidas sejam mantidas até o fim de 2026.
“Avaliamos as medidas como bastante positivas para a Petrobras, pois o novo subsídio de R$ 1 por litro para o diesel reduz significativamente a diferença em relação à política de preços da companhia”, afirmam Vicente Falanga e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.
Diesel concentra benefício apontado pelos bancos
O pacote anunciado pelo Ministério da Fazenda autoriza uma nova subvenção de R$ 1 por litro para produtores e importadores de diesel. O benefício poderá se somar ao subsídio de R$ 1,12 já existente até o fim de setembro, levando o suporte total a R$ 2,12 por litro durante parte do mês.
Os participantes deverão descontar a subvenção do preço de venda e registrar o abatimento na nota fiscal. Posteriormente, serão reembolsados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Petrobras ainda aguarda a publicação dos atos necessários para avaliar e implementar o mecanismo.
O BTG espera que a companhia eleve em R$ 1 por litro seu preço-base e conceda um desconto equivalente ao comprador. Dessa maneira, o custo líquido para as distribuidoras permaneceria praticamente estável, enquanto o preço efetivamente recebido pela Petrobras poderia passar de R$ 4,43 para R$ 5,43 por litro.
“As medidas protegem a política de preços e o arcabouço de governança da Petrobras, ao mesmo tempo em que sustentam uma rentabilidade maior para a companhia”, afirmam Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, analistas do BTG Pactual.
Nesse cenário, o BTG estima que o diesel da Petrobras ficaria 10% abaixo da paridade de exportação e 18% distante da paridade de importação. O BBI também calcula uma diferença de aproximadamente 10% em relação à paridade de exportação. A XP, que utiliza a importação como referência, projeta desconto próximo de 25%.
As comparações não são contraditórias, pois utilizam referências diferentes. O ponto comum é que a subvenção diminui a distância entre o preço realizado pela Petrobras e as cotações internacionais, sem repassar integralmente o aumento às distribuidoras.
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Correção na gasolina reduz benefício estimado
Na gasolina, o governo reduziu em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins entre 10 de setembro e 9 de outubro. A desoneração substitui o subsídio de R$ 0,44 por litro encerrado na quarta-feira (9).
As primeiras análises consideravam que a Petrobras retiraria o desconto de R$ 0,44 e aplicaria um reajuste adicional de R$ 0,19. A combinação elevaria em R$ 0,63 o preço cobrado pela companhia, enquanto a redução tributária de igual valor manteria estável o custo final para as distribuidoras.
A Petrobras, entretanto, corrigiu o comunicado nesta quinta-feira (10). A estatal informou que somente deixará de aplicar o desconto de R$ 0,44, sem realizar o reajuste adicional de R$ 0,19. O preço médio da gasolina A passa a R$ 3,05 por litro.
“O aumento do preço da gasolina não possui impacto no fluxo de caixa livre anualizado da companhia. O novo subsídio ao diesel, por sua vez, poderia contribuir com mais US$ 5,9 bilhões”, afirmam Regis Cardoso e Enzo Sozzi, analistas da XP.
Com a redução tributária, o preço percebido pelas distribuidoras ficará R$ 0,19 por litro menor. A correção elimina o ganho adicional da gasolina incorporado às contas iniciais do BBI e do BTG. Por isso, as projeções de US$ 6,5 bilhões anualizados e de US$ 3,4 bilhões até dezembro devem ser lidas considerando que foram elaboradas antes do esclarecimento da companhia.
O consenso positivo permanece apoiado no diesel e na utilização de subsídios públicos para aproximar os preços domésticos das referências internacionais. Os efeitos, contudo, são temporários e dependem da adesão da Petrobras, dos atos de regulamentação e do prazo de reembolso pela ANP.
No relatório anterior à correção, o BBI manteve recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 53. O BTG também reiterou a compra e classificou a Petrobras como sua principal escolha no setor brasileiro de petróleo e gás.






