As ações da Marcopolo (POMO4) operam em alta nesta terça-feira (5), após a fabricante de carrocerias de ônibus divulgar resultados do primeiro trimestre de 2026 levemente acima das expectativas.
O destaque ficou por conta do lucro líquido, que superou as projeções de forma expressiva, enquanto o desempenho operacional veio em linha com o esperado. A análise é do banco Safra, em relatório assinado pelos analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti.
Mix mais valorizado amortece o impacto
A receita líquida totalizou R$ 1,655 bilhão, queda de 1,3% na comparação anual e 0,6% acima do consenso.
“A receita da Marcopolo caiu 1,3% na comparação anual, refletindo uma queda de 8,5% nos volumes, suavizada por um mix melhorado, com produtos de maior valor agregado”, explicam Mussi e Melotti.
No mercado doméstico, que responde por 54% da receita total, a queda foi de 3,5%, com recuo nas entregas de ônibus rodoviários (-29%) e urbanos (-7%), parcialmente compensada pelo crescimento de 17,6% na produção de micro-ônibus, impulsionada pelas entregas remanescentes do programa Caminho da Escola e pelo início das entregas ao Ministério da Saúde — 242 unidades no período.
Nas operações internacionais, o desempenho foi misto. A Austrália avançou 26% na comparação anual, mas o México recuou expressivos 81%, e a Argentina perdeu força após um 2025 recorde.
“As exportações caíram 9,0% na comparação anual, para R$ 159,3 milhões, devido à demanda argentina mais fraca após um recorde em 2025”, apontam os analistas.
NFI impulsiona Ebitda e sustenta margem
O Ebitda alcançou R$ 304,8 milhões, alta de 16,3% no ano, com margem de 18,4% — expansão de 279 pontos-base e 38 pontos-base acima do consenso.
O resultado foi beneficiado por dois efeitos ligados à subsidiária canadense NFI: uma reversão de R$ 45 milhões referente ao recall de baterias e R$ 25,3 milhões em resultado recorrente positivo.
“O Ebitda da empresa alcançou R$ 304,8 milhões, com margem de 18,4%, impulsionado por R$ 70,3 milhões de resultado de equivalência patrimonial da NFI, dos quais R$ 45 milhões foram não recorrentes e R$ 25,3 milhões foram recorrentes”, detalham Mussi e Melotti.
Excluindo o efeito não recorrente, a margem Ebitda ajustada ficou em 15,7%, estável frente aos 15,6% do primeiro trimestre de 2025.
Lucro bate projeções
O lucro líquido foi o grande destaque positivo, somando R$ 264,6 milhões — alta de 8,8% no ano, 15% acima da estimativa do Safra e 19% acima do consenso.
“O lucro líquido alcançou R$ 265 milhões, com margem líquida de 16,0%, beneficiando-se do salto no resultado de equivalência patrimonial e de uma alíquota de imposto melhorada de 20%, contra 27% no primeiro trimestre de 2025”, destacam os analistas.
O resultado financeiro, embora positivo em R$ 69,6 milhões, foi inferior ao R$ 109,3 milhões do mesmo período do ano anterior, refletindo uma variação cambial positiva menor. As despesas com SG&A recuaram 6% no ano, evidenciando controle de custos mais rígido.
“Os resultados operacionais vieram amplamente em linha com nossas estimativas e com o consenso, enquanto o lucro líquido superou as expectativas, principalmente impulsionado por um impacto positivo do câmbio nos resultados financeiros”, concluem Mussi e Melotti.






