A reforma tributária brasileira, longe de ser uma ameaça ao setor de aluguel de veículos, pode se tornar um catalisador para o crescimento das locadoras. É essa a conclusão do Bank of America em relatório que analisa os efeitos do novo marco tributário sobre companhias como Localiza, Movida e Vamos.
“O arcabouço de transição da reforma tributária brasileira deve adiar o aumento da alíquota de vendas para as locadoras até meados da década de 2030“, aponta o relatório — aliviando uma das principais preocupações dos investidores com o setor nos últimos anos.
Transição gradual protege as locadoras
Atualmente, Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3) operam com carga tributária efetiva sobre vendas praticamente nula, enquanto a Vamos (VAMO3) paga cerca de 1%. Com a reforma, a alíquota efetiva de longo prazo deve subir para cerca de 8% a 9%. Contudo, o regime de transição estabelecido pela Lei Complementar 214/2025 adia significativamente esse impacto.
Pela nova regra, o CBS incide apenas quando o veículo é vendido acima do custo de aquisição — e o IBS aplica-se somente à parcela do preço de venda que excede esse custo multiplicado por um fator de redução.

Na prática, “as locadoras de automóveis devem continuar pagando praticamente zero de imposto sobre vendas até 2035, enquanto a Vamos deve permanecer isenta até 2033″, detalha o banco.
Para a divisão de frotas, os ativos da Localiza só serão tributados após 2033, os da Movida após 2034, e os caminhões usados da Vamos ficam protegidos ao longo de toda a transição. “Vemos esses riscos como exagerados agora, já que a transição deve ser mais gradual do que o esperado anteriormente, deixando tempo suficiente para que as locadoras aumentem gradualmente as tarifas”, avalia o relatório.
Terceirização de frotas se torna mais atrativa
O efeito mais estrutural da reforma, contudo, está na equação econômica entre alugar e possuir veículos. O sistema de IVA não cumulativo permite que empresas deduzam créditos tributários ao longo da cadeia de valor, reduzindo o custo efetivo do aluguel frente à propriedade.
“Estimamos que o aluguel de frotas torna-se cerca de 10% mais barato do que a propriedade para empresas após a reforma — ante custo de 6% a 16% superior ao atual”, projeta o BofA.
Para caminhões, “o aluguel torna-se 11% mais barato após a reforma tributária, ante 7% mais caro atualmente” — reversão que deve acelerar a terceirização de frotas no segmento corporativo.






