A JHSF (JHSF3) iniciou 2026 mantendo o processo de transformação de seu modelo de negócios, com avanço das receitas recorrentes e continuidade do reconhecimento contábil da venda bilionária de seu portfólio de incorporação realizada no fim do ano passado. A avaliação é do BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Felipe Mesquita.
Segundo o banco, o trimestre mostrou crescimento consistente nas operações de shoppings, locação residencial, hotelaria, gastronomia e aeroportos, ao mesmo tempo em que a companhia fortaleceu sua posição de caixa e ampliou sua presença internacional.
“O resultado reforça a estratégia da JHSF de ampliar a participação de negócios com geração recorrente de receita e menor dependência do ciclo tradicional de incorporação”, afirmou Felipe Mesquita, analista do BB Investimentos.
No segmento de incorporação, a companhia registrou receita líquida de R$ 227 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 140% na comparação anual. O desempenho ainda reflete a venda de R$ 5,2 bilhões em estoque imobiliário para um fundo imobiliário estruturado pela JHSF Capital no quarto trimestre de 2025.
De acordo com o relatório, ainda restam R$ 4,2 bilhões em receitas a serem apropriadas ao longo dos próximos períodos, incluindo R$ 1,74 bilhão referente à segunda tranche da operação, prevista para ser recebida até o fim de 2026.
Já o braço de locação residencial de alto padrão manteve forte ritmo de expansão. Atualmente, a empresa possui 72 unidades em operação, praticamente todas locadas, além de 56 unidades em desenvolvimento e três clubes em atividade. A receita líquida do segmento somou R$ 77,1 milhões no trimestre, crescimento de 45% em um ano.
Para Mesquita, o avanço reforça a capacidade da companhia de capturar valor em ativos voltados ao público de alta renda.
“A JHSF vem consolidando um ecossistema de ativos premium que combina moradia, serviços, hospitalidade e lazer em um modelo integrado”, destacou o analista.
JHSF mantém crescimento em shoppings, hotéis e aeroportos
Nos shoppings centers, as vendas atingiram R$ 1,025 bilhão entre janeiro e março, avanço de 8,4% sobre igual período do ano anterior. A taxa de ocupação permaneceu elevada, em 98,8%, enquanto o indicador de aluguel nas mesmas lojas (SSR) cresceu 11,5%, acima da inflação e da média do setor.
A receita líquida da divisão somou R$ 92,2 milhões. Excluindo os ativos vendidos pela companhia nos últimos meses, o crescimento anual teria sido de 11,4%, segundo o BB Investimentos.
A área de hospitalidade e gastronomia apresentou receita líquida consolidada de R$ 104,8 milhões no trimestre. Apesar da leve retração anual de 3%, o banco atribui o resultado principalmente ao aumento da carga tributária após o encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE).
Os indicadores operacionais, contudo, seguiram positivos. A diária média dos hotéis da companhia cresceu 6,3%, para R$ 5.038, enquanto a receita por quarto disponível (RevPAR) avançou 9%. Nos restaurantes, o número de couverts servidos aumentou 3,7%.
Após o encerramento do trimestre, a companhia também anunciou a aquisição do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai, reforçando sua estratégia de internacionalização. O ativo inclui hotel e cassino em operação e deverá receber expansões voltadas a shopping center, restaurantes e residências.
“O movimento internacional amplia o potencial de crescimento da companhia, embora também traga desafios adicionais de execução”, diz o relatório.
No segmento aeroportuário, o São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional registrou crescimento de 18,3% nos movimentos de aeronaves e de 19,8% no volume de combustível abastecido. A receita líquida da operação avançou 26%, para R$ 72 milhões.
A JHSF também anunciou a aquisição do Opa-Locka Executive Airport, na Flórida, considerado um dos principais aeroportos executivos do estado americano.
Segundo o BB Investimentos, o segmento de aeroportos continua sendo o principal vetor de expansão operacional da companhia.
“A estratégia da empresa busca criar sinergias entre ativos de alto padrão e fortalecer sua presença em nichos com elevadas barreiras de entrada”, afirmou o analista.
No consolidado, a receita líquida da companhia atingiu R$ 537,7 milhões no trimestre, crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2025. Considerando apenas os negócios de renda recorrente, a expansão foi de 14,6%.
A estrutura de capital também apresentou melhora relevante. O caixa encerrou março em R$ 4,3 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes, impulsionado pelo recebimento da primeira parcela da venda do portfólio imobiliário.
Ainda assim, o BB Investimentos destacou que parte relevante do lucro líquido de R$ 372 milhões decorre da valorização contábil de propriedades para investimento, sem efeito imediato no caixa.
“Embora esses ganhos contábeis não representem geração de caixa no curto prazo, eles refletem a maturação de ativos que deverão contribuir para os resultados operacionais da companhia nos próximos anos”, concluiu o relatório.






