A JBS (JBSS3) deve reportar um trimestre fraco, com compressão sequencial de margens em todas as unidades de negócio.
A projeção é dos analistas Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, da XP Investimentos, que estimam Ebitda ajustado de R$ 5,8 bilhões no período – queda de 35% na comparação anual e de 37% na trimestral.
Contudo, os analistas veem o resultado com perspectiva de médio prazo.
“Acreditamos que o primeiro trimestre deve marcar o piso dos resultados da companhia em 2026, e uma eventual fraqueza das ações pode abrir oportunidades à medida que ganhamos maior visibilidade sobre os ciclos de proteínas ao longo do ano”, afirmam Alencar e Fonseca.
A receita líquida projetada é de R$ 112,6 bilhões – queda de 1% anual e de 8% trimestral. A queima de caixa estimada é de R$ 3,2 bilhões, em linha com a sazonalidade típica do período.
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USA Beef e PPC puxam para baixo
Os principais vetores negativos do trimestre vêm das operações americanas.
O USA Beef deve registrar a menor margem Ebitda da história para um primeiro trimestre, em -3%.
“O USA Beef deve reportar a menor margem da história para um primeiro trimestre, refletindo dinâmicas adversas do ciclo pecuário”, destacam os analistas.
A PPC também deve decepcionar. A XP projeta margem Ebitda ajustada de 7,5% para a divisão — a mais fraca desde o primeiro trimestre de 2024 —, pressionada por spreads comprimidos e paralisações na indústria após recentes adições de capacidade.
“Projetamos Ebitda ajustado de US$ 305 milhões para a PPC, queda de 22% na comparação anual e 16% abaixo do consenso“, apontam Alencar e Fonseca.
(Imagem: Divulgação/ JBS)
Brasil sustenta e listagem nos EUA anima
Entretanto, nem tudo aponta para baixo.
A JBS Brasil é a única unidade de negócio com melhora de margem na comparação anual, sustentada por spreads de exportação fortes apesar da pressão dos preços do boi no mercado doméstico. A Seara também deve apresentar queda sequencial de margens em linha com padrões históricos, com os mercados internacionais seguindo resilientes.
“No Brasil, projetamos que a JBS Brasil seja a única unidade de negócio com melhora de margens em base anual, à medida que os spreads de exportação permanecem fortes”, ressaltam os analistas.
Para o segundo semestre, a XP aponta um catalisador relevante: a potencial inclusão da JBS em índices americanos.
“O papel também pode se beneficiar de uma potencial listagem em índices dos EUA no segundo semestre de 2026”, concluem Alencar e Fonseca — reforçando que a fraqueza de curto prazo pode ser uma janela de entrada para o investidor de médio prazo.