O Itaú BBA avalia que as estrelas estão se alinhando para o Magazine Luiza (MGLU3) e elevou a recomendação das ações de neutra para compra. A mudança reflete a expectativa de que juros menores, dificuldades da concorrente Casas Bahia (BHIA3) e expansão nos marketplaces favoreçam as vendas e os resultados da varejista.
Em relatório datado de segunda-feira (12), o banco estabeleceu um preço-alvo de R$ 16 para o fim de 2027, com potencial de valorização de 30,9% sobre a cotação de R$ 12,22 utilizada na análise. O alvo anterior era de R$ 10, com horizonte para o fim de 2026.
A revisão combina três fatores: a queda dos juros, a possibilidade de absorver consumidores da Casas Bahia e a expansão das vendas em plataformas como Mercado Livre (MELI; MELI34) e Amazon (AMZN; AMZO34).
No cenário básico do banco, essas oportunidades podem acrescentar cerca de R$ 7,5 bilhões em vendas e R$ 300 milhões ao lucro líquido em 2027.
Juros favorecem os lucros
O Magalu é uma das empresas mais sensíveis aos juros entre as acompanhadas pelo Itaú BBA. Nas estimativas dos analistas, cada queda de um ponto percentual na curva de juros pode elevar o lucro por ação da varejista em aproximadamente 11%.
Isso ocorre porque uma parcela relevante das vendas depende de crédito. A companhia também utiliza a antecipação de recebíveis, operação que permite receber antes os valores de compras parceladas, mediante um custo financeiro.
“Com os juros agora em trajetória de queda e a confiança crescente de que essa tendência veio para ficar, atualizamos nossas estimativas e aproximamos os lucros de um cenário normalizado, com juros reais mais próximos de 6%, um nível que muitos investidores estão utilizando, considerando o cenário global de juros”, afirma a equipe do Itaú BBA no relatório.
Ao incluir os recebíveis descontados em seus cálculos, o banco estima dívida líquida de R$ 13 bilhões. Essa estrutura amplia o benefício de juros menores, mas também aumenta a exposição da empresa a uma eventual piora das condições de crédito.
Espaço deixado pela concorrência
Outra frente da análise está nas dificuldades da Casas Bahia, que protocolou um pedido de recuperação judicial em agosto. Segundo o Itaú BBA, a concorrente fechou aproximadamente 29% de sua base de lojas, enquanto os estoques recuaram de R$ 5,4 bilhões no primeiro trimestre para R$ 4,2 bilhões no segundo.
A proximidade entre as redes favorece a disputa por esses consumidores: cerca de dois terços das lojas fechadas pela Casas Bahia tinham uma unidade do Magalu a até 400 metros, calcula o banco.
“Em nossa avaliação, isso pode afetar a disponibilidade de produtos, a variedade de itens e o investimento comercial nas lojas remanescentes nos próximos trimestres, permitindo ao Magalu ganhar participação mesmo que o mercado de eletrodomésticos continue fraco. Os fornecedores também poderiam direcionar mais volume e apoio comercial a varejistas mais bem posicionadas para absorver essa demanda, reforçando os ganhos de participação”, avaliam os analistas.
A oportunidade estimada pelo banco vai além dos estabelecimentos fechados. Também considera possíveis perdas de vendas nas unidades que continuam abertas e menor investimento da concorrente em publicidade digital, o que poderia favorecer os canais próprios do Magalu.
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Avanço nos marketplaces
A presença em plataformas de terceiros oferece outra possibilidade de crescimento. Por meio de um monitoramento próprio, o Itaú BBA estima que o Magalu tenha registrado cerca de 330 mil vendas no Mercado Livre desde o início da operação, em 2 de setembro.
Isso corresponde a aproximadamente 8 mil vendas diárias, volume cerca de 25% superior à média diária estimada para a Casas Bahia desde sua entrada na plataforma, em novembro de 2025.
“As vendas nos marketplaces têm comissão, mas não têm custo de aquisição de clientes nem de financiamento do crédito ao consumidor e, em alguns casos, podem ser mais vantajosas do que conquistar o mesmo cliente por meio de busca paga. A comparação, porém, ainda precisa incluir publicidade dentro da plataforma, logística, incentivos e restrições por categoria”, observa a equipe do Itaú BBA.
Segundo o banco, esses canais tendem a apresentar margens de Ebitda inferiores às da companhia como um todo. Entretanto, a diferença diminui no lucro líquido, porque o custo associado à antecipação dos recebíveis já está incorporado à comissão cobrada pela plataforma.
Crescimento precisa gerar caixa
Com a revisão, o Itaú BBA passou a estimar lucro líquido ajustado de R$ 776 milhões para 2027, ante R$ 266 milhões anteriormente. O relatório ressalta que benefícios tributários contribuem para o resultado contábil, reforçando a importância de acompanhar a geração de caixa.
O aumento das vendas também exige recursos para financiar estoques e recebíveis. Por isso, a melhora dos resultados precisa ser acompanhada de maior eficiência na operação.
“O crescimento consome capital de giro, pois os estoques e os recebíveis antecipados aumentam com o volume, de modo que um Ebitda maior não significa automaticamente redução do endividamento. Um giro mais rápido dos estoques e melhores condições com fornecedores, à medida que o Magalu ganha escala, aliviariam essa pressão”, afirma o Itaú BBA.
Apesar da recomendação mais favorável, o banco mantém ressalvas sobre a concorrência no longo prazo. Entre os riscos estão uma reversão da queda dos juros, crédito mais restrito, estabilização das operações da Casas Bahia e ganhos de vendas ou margens menores que os projetados nos novos canais.






