A ISA Energia (ISAE4) divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026 com desempenho operacional em linha com as expectativas, sem surpresas relevantes que alterem a visão dos analistas sobre a companhia.
A avaliação é da XP Investimentos, em relatório assinado pelos analistas Raul Cavendish e Bruno Vidal, que mantêm recomendação neutra para o papel com preço-alvo de R$ 25,90 por ação.
O EBITDA do trimestre totalizou R$ 1,021 bilhão, 2% acima da estimativa da XP.
“A ISA Energia reportou resultados operacionais em linha no primeiro trimestre de 2026, com EBITDA 2% acima da nossa estimativa, explicado principalmente pelo aumento pontual das Parcelas de Ajuste e Variável observado na receita da companhia no trimestre”, explicam Cavendish e Vidal.
O impacto das parcelas de ajuste foi de R$ 21 milhões adicionais frente à projeção de receita, enquanto as despesas de PMSO ficaram levemente acima do esperado, em R$ 205 milhões ante estimativa de R$ 202 milhões.
Lucro supera estimativas, mas por razões pontuais
O lucro líquido de R$ 358 milhões também veio acima das projeções, beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto menor do que a esperada. No entanto, os analistas alertam para o caráter não recorrente dos fatores positivos.
“Em relação aos ajustes de PA e PV reportados no primeiro trimestre de 2026, vemos esses impactos como pontuais, sem expectativa de novos ajustes relevantes que nos levem a revisar nossas estimativas de receita”, destacam os analistas.
As despesas financeiras líquidas vieram acima do esperado, compensando parcialmente o efeito do imposto mais baixo.
“No geral, esperamos uma reação neutra do mercado aos números divulgados”, concluem Cavendish e Vidal.
SEFAZ e leilões definem o futuro do papel
Com a tese de investimento estável, os analistas apontam dois fatores como os principais determinantes para o desempenho futuro das ações. O primeiro é a disputa judicial com a SEFAZ sobre os pagamentos destinados a custear a previdência de empregados aposentados.
“Nossa tese de investimento considera que, na disputa com a SEFAZ, a ISA seguirá arcando com 100% dessas obrigações no futuro; qualquer desfecho que fuja desse cenário poderia ser uma interessante fonte de upside para a companhia”, afirmam os analistas.
O segundo ponto de atenção são os próximos leilões de transmissão.
“Será importante monitorar a atuação da empresa nos próximos leilões de transmissão ao longo do ano, uma vez que lances excessivamente agressivos podem impactar negativamente a percepção dos acionistas sobre a disciplina de alocação de capital”, alertam Cavendish e Vidal.
Com a ação negociando a uma TIR real de 6,1%, a XP vê o papel sem assimetria clara no cenário-base, mantendo a recomendação neutra enquanto aguarda desenvolvimento na disputa com o SEFAZ.






