O PagBank (PAGS34) abriu 2026 com resultados que refletem a transição da companhia de uma plataforma de pagamentos para um banco digital de pleno espectro.
O lucro líquido não-GAAP somou R$ 575 milhões no primeiro trimestre, alta de 3,8% sobre os R$ 554 milhões do mesmo período de 2025, enquanto a carteira de crédito disparou 35,9%, chegando a R$ 5 bilhões — o principal vetor de crescimento da empresa.
Crédito lidera, mas Selic pressiona margens
O destaque operacional do trimestre foi a aceleração do crédito. Os empréstimos de capital de giro para pequenas e médias empresas cresceram impressionantes 190,6% na comparação anual, refletindo a estratégia de usar dados comportamentais dos próprios clientes para embasar a concessão.
O portfólio total, incluindo antecipação de recebíveis para lojistas, atingiu R$ 51 bilhões, alta de 11%. O crescimento, porém, veio acompanhado de maior inadimplência: o NPL acima de 90 dias subiu de 2,3% no 1T25 para 3,05% no 1T26, consequência da expansão de produtos não garantidos.
No lado das despesas, a Selic elevada foi o principal obstáculo. Os custos financeiros somaram R$ 1,34 bilhão, alta de 13,8% na comparação anual, pressionados pela taxa básica de juros que chegou a 14,96% — o maior nível desde 2006. A margem bruta recuou 3,1 pontos percentuais, para 56,6%. Em compensação, as despesas operacionais caíram 3,5%, e o lucro por ação avançou 12,1%.
Banking avança e muda o mix da receita
A aceleração do segmento bancário foi o grande motor de transformação do trimestre. A receita de banking cresceu 40,6% na comparação anual, para R$ 819 milhões, elevando sua fatia na receita total de 19% para 25%.
O lucro bruto bancário subiu 44,1%, com margem de 72%. Os depósitos totais atingiram R$ 41,6 bilhões, alta de 22,9%, com 91,1% captados na própria plataforma — o que reforça a capacidade da empresa de se autofinanciar. O cash-in, que mede entradas de recursos não relacionadas a adquirência, cresceu 10,8%, para R$ 81,4 bilhões.
CEO aponta para trimestre mais difícil do ano
O CEO Carlos Mauad foi transparente sobre os desafios do período na carta aos acionistas.
“Esperamos que o primeiro trimestre de 2026 seja o mais desafiador do ano, refletindo comparações anuais mais difíceis impulsionadas pela taxa Selic média mais alta em relação ao mesmo período de 2025, pressionando custos de captação e margens”, afirmou.
Mesmo assim, o executivo destacou a resiliência do modelo: “A força do ecossistema digital do PagBank continua sendo um diferenciador crítico.” E projetou um cenário mais favorável adiante: “Esperamos um ambiente macroeconômico mais construtivo, apoiado pelo início do ciclo de corte da Selic.”
No campo acionário, o PagBank recomprou mais de 26 milhões de ações nos últimos doze meses, equivalente a R$ 1,385 bilhão, com 90% do programa de US$ 200 milhões já executado. O índice de Basileia gerencial encerrou o trimestre em 24,1%, e o ROAE não-GAAP avançou para 15,8%.






