A JBS (JBSS32) deve divulgar mais um resultado pressionado no segundo trimestre de 2026, mas o desempenho fraco já parece estar amplamente incorporado às expectativas do mercado. Essa é a avaliação do Bradesco BBI, que manteve recomendação de compra para os BDRs JBSS32 e elevou o preço-alvo para R$ 97, mesmo após revisar para baixo as projeções de margem para os próximos anos.
O frigorífico publica seu balanço em 10 de agosto, após o fechamento do mercado. O banco projeta receita líquida consolidada de US$ 23,1 bilhões no período, avanço de 10% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Já o EBITDA ajustado deve recuar 15%, para US$ 1,5 bilhão, com margem de 6,4%, enquanto o lucro líquido é estimado em US$ 319 milhões, queda anual de 40%.
Segundo o relatório, a principal preocupação do mercado continua sendo a forte deterioração dos spreads da operação de carne bovina nos Estados Unidos ao longo do trimestre. Ainda assim, os analistas acreditam que uma melhora sequencial da divisão US Beef, favorecida por spreads mais fortes no início do período após a greve na planta de Greeley, pode evitar uma reação negativa dos investidores aos números.
Recuperação da unidade PPC
Entre as demais unidades de negócios, o Bradesco BBI espera recuperação da PPC em relação ao primeiro trimestre, embora a operação continue pressionada pelo aumento da oferta de frango nos Estados Unidos, que reduziu preços e margens. Em US Pork, a expectativa é de mais um trimestre sólido, ainda que ligeiramente inferior ao anterior, refletindo a redução dos spreads para produtores não integrados.
Na Austrália, a maior disponibilidade de gado deve favorecer uma recuperação dos resultados, enquanto a Seara deve seguir apresentando desempenho positivo, mas com sinais de desaceleração diante da maior oferta de aves e suínos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Já a operação brasileira da JBS deve se destacar positivamente. O banco acredita que a oferta abundante de gado e a forte demanda chinesa antes do esgotamento da cota de exportação sustentaram um trimestre robusto para a unidade.
Apesar da expectativa de que o mercado receba bem um eventual desempenho acima do esperado da operação americana de carne bovina, o Bradesco BBI avalia que o segundo semestre continuará desafiador. Entre os fatores de pressão estão a restrição na oferta de gado nos Estados Unidos, o aumento da oferta de aves e suínos no Brasil e nos EUA, a virada do ciclo do boi no mercado brasileiro e a interrupção temporária das exportações brasileiras de carne bovina para a China após o preenchimento da cota de exportação.
Na avaliação dos analistas, esse cenário reduz o espaço para revisões positivas de lucro tanto para a JBS quanto para o setor de proteínas no curto prazo. Ainda assim, o banco continua vendo a companhia como a principal tese de investimento do segmento no horizonte de longo prazo, sustentada pelo potencial de geração de resultados quando os ciclos do setor se normalizarem e por uma avaliação considerada mais atrativa em relação aos concorrentes.
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