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Ibovespa futuro põe mercado rumo aos 170 mil pontos

Ibovespa futuro põe mercado rumo aos 170 mil pontos

Relatório Focus reforça cenário de Selic elevada, inflação resistente e câmbio ainda em patamar alto

O Ibovespa futuro opera em leve alta de 0,27% nesta segunda-feira (8), aos 169.970 pontos, em um início de semana marcado por cautela no cenário global e ajustes técnicos após as recentes quedas do índice.

Os contratos futuros do minério de ferro, por sua vez, encerraram em baixa na Bolsa de Dalian, na China. O contrato mais líquido, com entrega em setembro de 2026, caiu 6 yuans, para 759 yuans por tonelada. O mercado teve forte giro, com negociação de 329.752 lotes e um volume financeiro de aproximadamente 25,07 bilhões de yuans, sinalizando elevada atividade mesmo em meio ao recuo dos preços.

Cenário externo pressiona ativos e eleva cautela

A sessão desta segunda-feira é influenciada pelo aumento da aversão ao risco no exterior, em meio à escalada das tensões geopolíticas entre Irã e Israel. O movimento tem impacto direto nos mercados globais, impulsionando o petróleo e reforçando preocupações com inflação persistente e juros elevados por mais tempo.

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Segundo a Ágora Investimentos, o ambiente internacional segue desafiador, com as bolsas europeias em queda e os mercados asiáticos já tendo fechado no negativo. Em Wall Street, os futuros operam sem direção única, ainda que com um leve viés positivo para o setor de tecnologia.

Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries avançam, refletindo a busca por proteção e a expectativa de política monetária restritiva. O dólar também se mantém firme frente a outras moedas, enquanto o petróleo dispara mais de 4% diante de riscos à oferta.

Para o Brasil, esse pano de fundo tende a pressionar os ativos locais, especialmente pela combinação de juros globais em alta e maior volatilidade. Por outro lado, a valorização do petróleo pode oferecer algum suporte para empresas ligadas à commodity.

Petróleo
(Imagem: Unsplash)

Curva de juros e commodities no radar

No mercado doméstico, a curva de juros segue pressionada, acompanhando o avanço dos rendimentos nos Estados Unidos. O cenário reforça as apostas de manutenção da Selic em níveis elevados por mais tempo, o que limita o apetite por risco.

Além disso, o comportamento das commodities permanece no foco dos investidores. Enquanto o petróleo sobe com força, o recuo do minério de ferro adiciona um viés negativo para empresas do setor de mineração, que têm peso relevante no Ibovespa.

O início da semana também é marcado pela expectativa em torno de novos dados de inflação, tanto no Brasil quanto no exterior, que podem influenciar a trajetória dos juros e a dinâmica dos mercados nos próximos dias.

Análise técnica do Ibovespa

Do ponto de vista técnico, o Ibovespa continua em um cenário fragilizado após perder níveis importantes de suporte nas últimas sessões. A leitura predominante é de continuidade da tendência de baixa no curto prazo.

“O índice passa a operar em um novo patamar inferior, com price action claramente vendedor, refletido na sequência de candles de baixa e na ausência de reação consistente”, destaca o relatório da Ágora Investimentos.

De acordo com a análise, eventuais repiques devem ser interpretados como movimentos corretivos dentro da tendência principal, que segue marcada por topos e fundos descendentes. Esse padrão reforça a cautela entre investidores no curto prazo.

Focus indica juros mais altos e inflação pressionada

A taxa básica de juros continua sendo o principal vetor de atenção nas expectativas de mercado. De acordo com o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (8), a projeção da Selic para 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano, reforçando a tendência de alta nas estimativas.

Para 2027, a expectativa também avançou, passando de 11,25% para 11,50%, indicando que o ciclo de juros elevados deve se prolongar. No curto prazo, a mediana segue apontando Selic em 14,25%, sugerindo estabilidade em patamar restritivo.

A inflação também segue pressionada. O IPCA de 2026 foi revisado de 5,09% para 5,11%, enquanto a projeção para 2027 subiu para 4,03%. O IGP-M acompanhou o movimento, com alta de 6,00% para 6,10%.

No câmbio, houve leve alívio, com o dólar projetado em R$ 5,15 em 2026, ante R$ 5,16 anteriormente. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20.

O conjunto das revisões reforça um cenário de política monetária restritiva por mais tempo, em linha com o ambiente global de juros elevados e inflação resistente.