O lucro da Hypera (HYPE3) cresceu 15,2% no segundo trimestre de 2026, para R$ 490 milhões, mas o que chamou atenção de BTG Pactual, Bradesco BBI e XP foi o caixa.
A receita líquida subiu 8,5%, para R$ 2,34 bilhões. O Ebitda avançou apenas 4%, a R$ 755 milhões, com margem de 32,3%, recuo de 1,4 ponto percentual em um ano.
Despesas comem o ganho de margem
A margem bruta ganhou 1,7 ponto percentual, para 61,8%, apoiada em repasses de preços e num mix mais favorável. As despesas operacionais, porém, cresceram acima da receita.
“O demonstrativo de resultados foi fraco, com apenas 4% de expansão do Ebitda, mas o sólido fluxo de caixa livre acabou sendo o lado positivo”, escreveram Samuel Alves e Maria Resende, analistas do BTG Pactual.
“As despesas gerais e administrativas subiram 33,6% e vieram 9% acima das nossas estimativas, refletindo uma base de comparação mais baixa e maiores investimentos em tecnologia”, detalhou Gustavo Tiseo, analista da XP.
Caixa vira o argumento da tese
O ciclo de conversão de caixa caiu para 153 dias, ante 188 no trimestre anterior. Os dias de estoque recuaram 36 e o capex encolheu 41%, para R$ 132 milhões.
“O destaque positivo foi a geração de caixa livre para o acionista, que somou R$ 425 milhões e superou nossas estimativas”, apontaram Marcio Osako e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.
“Esperamos que, após a recente captação, a companhia consiga entregar uma geração de caixa mais consistente”, ponderaram Samuel Alves e Maria Resende, do BTG Pactual, que mantiveram recomendação neutra por considerar cedo demais para falar em ponto de inflexão.
Múltiplo descontado divide o placar
Bradesco BBI e XP ficaram do lado comprado. O papel negocia a 7,2 vezes o lucro estimado para 2026 e a 7 vezes o de 2027, cerca de 30% abaixo da média histórica.
“Negociando a um múltiplo P/L de 7,2x para 2026 e com sólida perspectiva de geração de caixa, o papel segue como uma opção defensiva e atrativa no setor de saúde”, concluíram Marcio Osako e Ricardo França.
“Estimamos que o Semavy possa adicionar entre 3% e 5% à receita e entre 1% e 3% ao Ebitda ao longo do tempo”, projetou Gustavo Tiseo, da XP, que vê o GLP-1 como catalisador ainda não precificado.






