As ações da Hapvida (HAPV3) derretem mais de 6% e estão entre as maiores quedas desta quinta-feira (20). Os papéis da companhia recuam depois que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) adotou uma medida cautelar para supostamente impedir a companhia avançar com um plano que previa reajustes de dois dígitos ou a rescisão de cerca de 947 mil contratos nos próximos meses.
A informação foi inicialmente divulgada pela colunista Míriam Leitão, de O Globo, que relatou que a agência reguladora pediria esclarecimentos à companhia sobre a estratégia. Posteriormente, o presidente da ANS, Wadih Damous, confirmou a adoção da medida cautelar contra a empresa.
De acordo com a reportagem, a decisão coloca sob análise da agência a estratégia da Hapvida para sua carteira de contratos e impede, neste momento, que a companhia coloque em prática as medidas previstas no plano.
BTG: longo caminho pela frente
A Hapvida ainda tem um caminho longo pela frente para recuperar a rentabilidade e a geração de caixa, segundo avaliação do BTG Pactual. Após os resultados considerados fracos no segundo trimestre, o banco revisou novamente suas projeções para a operadora de saúde e reduziu de forma significativa as estimativas de Ebitda para os próximos anos.
O BTG cortou em 25% a projeção de Ebitda da Hapvida para 2026 e em 30% a estimativa para 2027. Com a revisão, o preço-alvo das ações para o fim de 2027 caiu de R$ 15 para R$ 8. A recomendação para o papel permanece Neutra, diante da avaliação de que uma eventual recuperação ainda é incerta.
Entre os principais problemas identificados pelo banco estão o aumento da judicialização, a frequência ainda elevada de utilização dos serviços médicos, o nível alto da sinistralidade, maiores provisões para contingências e penalidades da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O cenário também é pressionado por despesas corporativas maiores e pela deterioração da posição financeira da companhia, que vem consumindo caixa.
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Judicialização: problema financeiro
Para o BTG, a judicialização deixou de ser apenas um obstáculo operacional e passou a representar uma preocupação relevante para o balanço da Hapvida. O aumento das disputas judiciais tem afetado diretamente a geração de caixa da companhia e deve continuar pressionando o fluxo de caixa livre nos próximos trimestres.
Um dos principais indicadores dessa deterioração são os bloqueios judiciais relacionados a processos movidos por pacientes. No segundo trimestre, novos bloqueios judiciais cíveis chegaram a R$ 350 milhões, contra R$ 224 milhões no primeiro trimestre e R$ 187 milhões no quarto trimestre de 2025.
Os valores que deixam de ser recuperados pela companhia após decisões judiciais favoráveis aos pacientes também aumentaram. Os chamados write-offs de depósitos judiciais cíveis somaram R$ 162 milhões no segundo trimestre, ante R$ 125 milhões no primeiro trimestre e R$ 121 milhões no quarto trimestre de 2025.
Como consequência, o saldo de depósitos judiciais cíveis, que representa recursos que deixam de estar imediatamente disponíveis para a empresa, ultrapassou R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2026. Em 2023, esse montante era de aproximadamente R$ 400 milhões.
Na avaliação do BTG, a evolução desses números mostra que a judicialização ganhou peso dentro da estrutura financeira da Hapvida e deve continuar sendo uma fonte importante de consumo de caixa.






