O Investor Day do Banco do Brasil (BBAS3) em São Paulo trouxe mais dúvidas do que certezas — e o BTG Pactual reagiu com uma revisão expressiva nas estimativas.
Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale cortaram a projeção de lucro de 2026 em 16,5%, para R$ 20,1 bilhões — 9% abaixo do piso do guidance e 14% abaixo do consenso de mercado.
“Nossa principal conclusão é que o guidance de 2026 está claramente em risco”, afirmam os analistas.
O preço-alvo foi reduzido de R$ 26 para R$ 25 por ação.
Agro: legado pesado e recuperação irregular
O agronegócio segue como o epicentro da pressão sobre os resultados do banco.
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CEO e CFO reconheceram que 2025 foi o ano mais desafiador em mais de duas décadas, com a deterioração concentrada na carteira agrícola.
“Nossas expectativas agora são de uma dinâmica de recuperação mais irregular, com a gestão referenciando explicitamente um padrão em ‘W’, em vez de uma normalização suave”, descrevem Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O NPL do agronegócio atingiu 6,1% no quarto trimestre de 2025, equivalente a R$ 25 bilhões. Além disso, o banco carrega R$ 57 bilhões em empréstimos prorrogados fora do NPL — um overhang que deve pesar por mais tempo.
Do total prorrogado, 36% vence em 2026 e 22% em 2027. As safras mais recentes já mostram melhor desempenho, mas representam apenas 20% das maturidades em abril.
“A direção está melhorando na margem, mas o primeiro semestre de 2026 deve seguir apertado”, reconheceu a própria gestão durante o evento.
(Imagem: Divulgação/ BB)
Provisões acima do teto e ROE baixo
O BTG agora projeta provisões de R$ 64,7 bilhões em 2026 — 13% acima do teto do guidance —, com normalização gradual apenas a partir de 2027.
Para o primeiro trimestre de 2026, o lucro estimado é de R$ 3,5 bilhões, queda de 39% trimestral e 53% anual, com ROE (Return on Equity) de 7,4%.
“Dado nosso preview de R$ 3,5 bilhões para o primeiro trimestre e um segundo trimestre ainda com inércia negativa, acreditamos que o piso do guidance se tornou efetivamente o teto“, pontuam os analistas.
Contudo, há pontos de sustentação. O consignado privado avança com carteira de R$ 17,2 bilhões e 13% de market share. As empresas do conglomerado — BB Seguridade, Cielo e Elo — respondem por cerca de 52% do lucro consolidado histórico.
“O papel não está caro, negociando a 0,7 vez o valor patrimonial, mas com ROE de 10% em 2026 e dividend yield de 4%, não é particularmente atrativo pelos padrões históricos do próprio banco”, concluem Rosman, Buchpiguel e Pascale — mantendo preferência pelo Bradesco (BBDC4) sobre o Banco do Brasil entre os grandes bancos brasileiros.
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