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Gestores veem as ações domésticas mais descontadas em anos, aponta Itaú BBA

Gestores veem as ações domésticas mais descontadas em anos, aponta Itaú BBA

Equatorial, Bradesco, Porto Seguro, Embraer e Cyrela estão entre as ações defendidas nos painéis realizados em São Paulo

Os gestores reunidos pelo Itaú BBA nesta semana apontaram algumas das avaliações domésticas mais descontadas em anos. A leitura veio do 5º Investment Strategy Day, realizado em São Paulo no dia 1º de setembro, com quatro painéis conduzidos por sete diretores de investimento e gestores das casas Artax, Kapitalo, Solana, Vinland, Real Investor e TB Capital.

“O tom foi mais cauteloso com o macro brasileiro, com um equilíbrio local frágil e um quadro fiscal binário favorecendo posicionamento defensivo e seletivo. Ainda assim, os participantes do painel de ações sinalizaram algumas das avaliações domésticas mais descontadas em anos”, apontam Daniel Gewehr e Raphael Matutani, estrategistas do Itaú BBA.

O fiscal é o fator decisivo

No painel de diretores de investimento, os participantes trataram a trajetória da dívida pública como cada vez mais difícil de estabilizar no médio prazo, com o crescimento rodando acima do esperado e puxado sobretudo pela despesa com juros.

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A conclusão é que a dinâmica fiscal está mais ligada ao arcabouço de política econômica como um todo do que ao resultado primário isoladamente, o que limita o espaço para queda estrutural dos juros reais.

“Um gestor trabalha com crescimento do PIB abaixo de 1% e inflação entre 4% e 5%, uma escolha difícil para o Banco Central. Os participantes também sinalizaram famílias endividadas demais, aumento dos pedidos de recuperação judicial e um ajuste de crédito exigente em 2027”, observam Gewehr e Matutani.

Posicionamento defensivo e fluxo frágil

Os gestores descreveram carteiras neutras em beta, com exposição líquida baixa, estruturas de barra e pares dentro do mesmo setor, desenhados para isolar o risco macro. Complementam com opções de compra fora do dinheiro quando o índice fica sobrevendido. A leitura é que a alta do ano foi movida por fluxo, e mais da metade da entrada estrangeira do início do ano já se reverteu.

“Nesse regime, estratégias de momentum e de revisão de lucros superaram a de puro valuation, que pode identificar barateamento sem oferecer um catalisador de curto prazo. Na contramão da cautela, um gestor do painel de long only argumentou que os níveis atuais oferecem uma relação de risco e retorno de longo prazo incomum, uma das melhores oportunidades dos últimos 20 anos, especificamente na escolha de ações domésticas e não no índice amplo”, dizem Daniel Gewehr e Raphael Matutani, estrategistas do Itaú BBA.

Equatorial
(Imagem: Divulgação/ Equatorial)

As ações defendidas nos painéis

Entre as apostas de maior convicção, a Equatorial (EQTL3) foi citada por mais de um gestor como alocadora de capital de alta qualidade e retorno elevado. O Bradesco (BBDC4) aparece pela relação de risco e retorno, com dividend yield perto de 10% e retorno sobre patrimônio caminhando para a faixa de 16% a 17%, com o negócio de seguros funcionando como fortaleza.

A Porto (PSSA3) foi apontada como líder de mercado, com retorno de cerca de 20% negociando a aproximadamente 8 vezes o lucro. Também foram defendidas a Embraer (EMBJ3), pela longa duration e pela exposição cambial, a Cyrela (CYRE3) e as construtoras de baixa renda, além do setor de distribuição de combustíveis e de uma cesta de elétricas.

No exterior, os nomes citados foram Microsoft (MSFT34), Meta ($M1TA34), Nubank (ROXO34), Visa (VISA34), Mastercard (MSCD34), Airbnb (AIRB34) e Booking (BKNG34).

“Um gestor reafirmou um arcabouço de valor para o Brasil que exige margem de segurança maior, tolerância a alguma exposição a estatais diante do conjunto restrito de oportunidades e disposição para operar contra um ‘senhor Mercado’ local especialmente maníaco”, projetam Gewehr e Matutani.

Fachada da MRV
Foto: Adobe Stock

Entre as apostas fora do consenso apareceram a MRV (MRVE3), como recuperação de valor profundo com o encerramento da operação nos Estados Unidos, o Grupo Mateus (GMAT3), que lucra de duas a três vezes o nível do IPO negociando por cerca de metade do preço, e uma cesta de commodities com Suzano (SUZB3), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).

Do lado oposto, a redução de posição em TSMC (TSMC34). Nas posições vendidas, os gestores citaram sem nomear uma companhia de bebidas e uma geradora de energia com retorno de um dígito.