A Gerdau (GGBR4), uma das maiores empresas de siderurgia das Américas, voltou a receber recomendação de compra do BTG Pactual após uma revisão positiva das projeções para a companhia.
Segundo o banco, as ações da empresa apresentam uma combinação atrativa entre valorização, geração de caixa e distribuição de dividendos, impulsionadas principalmente pelo desempenho consistente das operações nos Estados Unidos e pela expectativa de recuperação gradual do mercado brasileiro.
O BTG elevou a recomendação dos papéis de neutra para compra e estabeleceu preço-alvo de R$ 28 para os próximos 12 meses. Considerando a cotação próxima de R$ 21,44 na data do relatório, a instituição estima potencial de valorização de 30,6%. Somando os dividendos previstos, o retorno total projetado chega a 33,6%.
Operações nos Estados Unidos sustentam a tese de investimento
O principal argumento da nova recomendação está na forte contribuição das operações norte-americanas para os resultados da Gerdau. Atualmente, cerca de 75% do EBITDA da companhia é gerado na América do Norte, tornando a empresa menos dependente das condições do mercado brasileiro e mais protegida contra oscilações cambiais.
De acordo com a análise, a demanda por aço nos Estados Unidos permanece aquecida, impulsionada por investimentos em infraestrutura, energia solar e construção de data centers.
O relatório também destaca que a carteira de pedidos da empresa supera 90 dias, acima da média histórica de aproximadamente 60 dias, refletindo um ambiente favorável para manutenção das margens e dos preços praticados.
Outro ponto considerado positivo é o cenário regulatório norte-americano. O BTG avalia que eventuais mudanças nos acordos comerciais da região tendem a preservar parte das vantagens competitivas da Gerdau, reduzindo o risco de uma pressão significativa sobre as margens da companhia no médio prazo.
Mercado brasileiro mostra sinais de recuperação
Embora o Brasil tenha pressionado os resultados da empresa nos últimos trimestres, o BTG acredita que o pior momento ficou para trás.
O relatório destaca que medidas antidumping adotadas recentemente começaram a reduzir a concorrência de produtos importados, favorecendo uma melhora gradual do ambiente para as siderúrgicas nacionais.
Além disso, o banco espera uma redução dos custos ao longo do segundo semestre e cita o início das operações do projeto Miguel Burnier, em Minas Gerais, como um importante vetor de crescimento. A expectativa é de uma contribuição de aproximadamente R$ 200 milhões para o EBITDA ainda em 2026, com impacto próximo de R$ 1 bilhão em 2027, quando o empreendimento estiver operando em plena capacidade.
Mesmo mantendo cautela em relação ao ritmo de recuperação da economia brasileira, o BTG ressalta que o peso do Brasil na geração consolidada de resultados caiu significativamente nos últimos anos, reduzindo a exposição da companhia aos riscos domésticos.
Valuation ainda é considerado descontado
Outro aspecto destacado pelo banco é a avaliação considerada atrativa das ações da Gerdau. Segundo o relatório, a empresa negocia a cerca de 3,8 vezes o EV/EBITDA projetado para 2026, enquanto concorrentes norte-americanos são negociados entre seis e oito vezes esse múltiplo. Essa diferença representa um desconto superior a 40%, apesar da forte presença da companhia no mercado dos Estados Unidos.
Na visão dos analistas, parte desse desconto decorre da percepção de risco associada ao Brasil, mesmo que a maior parcela da geração de caixa da empresa esteja concentrada no mercado norte-americano. Caso esse diferencial diminua ao longo do tempo, existe espaço para uma reprecificação positiva dos papéis.
Perspectiva positiva também para 2027
O BTG ressalta que a tese de investimento não se limita aos resultados esperados para 2026. As projeções indicam manutenção de margens saudáveis nos Estados Unidos, recuperação gradual da operação brasileira e forte geração de caixa também em 2027.
A expectativa é que a Gerdau alcance um fluxo de caixa livre equivalente a aproximadamente 11% do valor de mercado em 2027, além de manter dividend yield entre 6% e 7%, complementado por programas de recompra de ações.
Diante desse cenário, o BTG considera que a empresa reúne fundamentos sólidos, boa qualidade operacional e potencial de entregar retornos consistentes aos acionistas nos próximos anos.






