A Fitch Ratings reafirmou o rating nacional de longo prazo “AAA(bra)” da ISA Energia (ISAE4) e de suas emissões de debêntures, mantendo perspectiva estável. A agência avalia que a companhia continuará sustentando um perfil de crédito robusto graças à previsibilidade de receitas do segmento de transmissão de energia, mesmo diante de um ciclo de investimentos elevados que deverá pressionar a alavancagem financeira nos próximos anos.
Segundo a agência, a classificação reflete o baixo risco do modelo de negócios da ISA Energia, cuja receita é baseada principalmente na Receita Anual Permitida (RAP), mecanismo que remunera a disponibilidade dos ativos e elimina a exposição ao risco de demanda. Outro fator positivo é o longo prazo das concessões da companhia, com apenas um contrato de menor porte vencendo até 2031.
Receitas em transição
A Fitch destaca que a empresa atravessa um período de transição em sua estrutura de receitas. Em julho de 2028, será encerrado o principal componente financeiro relacionado à Rede Básica do Sistema Existente (RBSE), responsável por uma receita de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em 2025, cuja redução deverá alcançar cerca de 80%.
Para compensar essa perda, a agência projeta que novos projetos de transmissão e investimentos em reforços e melhorias da rede ampliarão a geração de receita da companhia. Dois projetos greenfield, juntamente com o projeto Piraquê, concluído em junho de 2026, deverão acrescentar cerca de R$ 913 milhões em Receita Anual Permitida, enquanto as obras de modernização da infraestrutura poderão adicionar aproximadamente R$ 860 milhões anuais.
Além disso, a Fitch incorporou às projeções a consolidação da Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira), cuja participação da ISA Energia Brasil deverá passar de 51% para 100% após a conclusão da aquisição dos 49% restantes, prevista para os próximos meses. A operação acrescentará cerca de R$ 752 milhões à Receita Anual Permitida consolidada da empresa.
Investimentos elevam alavancagem
Apesar da solidez operacional, a agência prevê que o fluxo de caixa livre permanecerá negativo até 2027, em função do elevado volume de investimentos e da política de distribuição de dividendos.
As projeções da Fitch indicam Ebitda ajustado de R$ 4,8 bilhões em 2026 e de R$ 5,3 bilhões em 2027, já considerando a contribuição da IE Madeira e dividendos provenientes de ativos não consolidados. No entanto, investimentos médios de aproximadamente R$ 4,5 bilhões por ano, aliados à distribuição equivalente a 75% do lucro líquido regulatório, deverão resultar em fluxo de caixa livre negativo médio de R$ 2,4 bilhões entre 2026 e 2027.
Como consequência, a alavancagem financeira deverá aumentar gradualmente. A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda ajustado é projetada em 3,8 vezes em 2026 e deve superar ligeiramente quatro vezes até 2030, atingindo pico de 4,4 vezes em 2029, refletindo principalmente a redução das receitas da RBSE e a aquisição integral da IE Madeira.
Suporte da controladora
Outro fator considerado positivo pela Fitch é o relacionamento da ISA Energia Brasil com sua controladora, a colombiana ISA. A agência avalia que a subsidiária brasileira possui elevada relevância estratégica para o grupo, respondendo por aproximadamente 40% do Ebitda consolidado e cerca de 60% dos investimentos da controladora.
Segundo a Fitch, embora não existam garantias cruzadas entre as dívidas das duas empresas, a importância da operação brasileira para a estratégia de crescimento da ISA amplia os incentivos para eventual suporte financeiro, caso necessário, reforçando o perfil de crédito da companhia.
Leia também:






