As possíveis mudanças na legislação trabalhista, mais precisamente a o fim da escala 6×1, seguem no radar da GPS (GGPS3) e podem elevar os custos operacionais da companhia em até 10% em um cenário mais adverso, segundo avaliação apresentada pela empresa em reunião com analistas do BTG Pactual (BPAC11). Apesar disso, a companhia considera que os impactos seriam administráveis por meio de reajustes de preços, dada a natureza essencial dos serviços prestados.
De acordo com o relatório do banco, a proposta em discussão prevê uma redução gradual da jornada de trabalho, com corte inicial de duas horas após 60 dias da aprovação da lei e uma nova redução de duas horas após 12 meses. A empresa destacou que a medida exigiria readequação operacional e renegociações coletivas, embora apenas cerca de 5% dos funcionários atualmente atuem sob o regime 6×1.
A administração da GPS avaliou que o prazo de 60 dias previsto para renegociações sindicais seria desafiador para estruturas operacionais de grande porte. Ainda assim, a companhia acredita que eventuais pressões poderiam ser compensadas por repasses de preços aos clientes.
Margens pressionadas
Outro tema abordado no encontro foi o desempenho operacional do primeiro trimestre, especialmente a pressão observada nas margens. Segundo a companhia, o principal fator negativo esteve relacionado ao segmento de serviços de alimentação.
Historicamente, os contratos da GPS possuem mecanismos mais sincronizados entre reajustes de custos e receitas, com despesas trabalhistas representando entre 70% e 80% da estrutura de custos. No entanto, a operação de alimentação apresenta dinâmica distinta, com cerca de 40% dos custos ligados à inflação de alimentos, 40% à mão de obra e 20% a outros itens.
A empresa explicou que a volatilidade dos preços de alimentos acabou pressionando a rentabilidade no período. Além disso, houve impacto temporário relacionado à implementação de novos contratos, já que o modelo de food services exige aquisição antecipada de insumos, aumentando momentaneamente a necessidade de capital de giro.
Sistema S
O BTG também destacou as atualizações envolvendo as discussões judiciais sobre contribuições ao Sistema S. Segundo a GPS, o tema permanece altamente incerto e avança lentamente no Judiciário.
A companhia manteve provisões contábeis e continua tratando o caso como uma perda provável. Ainda assim, a administração ponderou que o impacto efetivo em caixa poderia ser significativamente inferior ao valor bruto envolvido, uma vez que parte das despesas poderia gerar deduções tributárias ou compensações via créditos fiscais.
No pior cenário, a saída de caixa representaria entre 40% e 45% do montante total. Já em um desfecho mais favorável, a companhia poderia registrar um efeito extraordinário positivo nos resultados, além de eliminar despesas recorrentes de atualização monetária.
Reforma Tributária e aquisições
Na visão da companhia, a Reforma Tributária tende a trazer benefícios estruturais relevantes para o setor de terceirização no médio e longo prazo. Embora 2027 possa representar um período de transição mais desafiador, devido ao impacto estimado de cerca de 60 pontos-base relacionado ao fim de um benefício da Top Service, a empresa avalia que o novo sistema tributário deve aumentar a transparência dos créditos fiscais e melhorar o ambiente competitivo do setor.
A GPS também afirmou que mantém um pipeline robusto de fusões e aquisições. Segundo o BTG, a companhia possui cerca de R$ 4 bilhões em receitas potenciais em negociações avançadas.
Apesar disso, o ambiente atual para M&A segue desafiador devido às divergências de valuation entre compradores e vendedores. A empresa afirmou que vem adotando postura mais disciplinada nas negociações e mantendo rigor elevado nos processos de diligência, especialmente em análises trabalhistas.
Para o BTG, a tese de curto prazo da companhia continua relativamente morna, mas sem comprometer a perspectiva positiva de crescimento no longo prazo. O banco destacou ainda que a ação negocia atualmente a cerca de 10 vezes o lucro estimado para 2026, patamar considerado atrativo.
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