A Anvisa aprovou a Ozivy, caneta de semaglutida desenvolvida pelo laboratório brasileiro EMS, marcando o primeiro avanço concreto após o vencimento da patente do Ozempic, da Novo Nordisk, em março deste ano.
A novidade foi recebida positivamente por analistas do JP Morgan e do BTG Pactual, que veem o movimento como um divisor de águas para o varejo farmacêutico nacional.
O produto foi aprovado como análogo sintético de produto biológico — e não como genérico tradicional —, o que significa que não está obrigado a seguir o desconto mínimo de 35% exigido para genéricos convencionais. Ainda precisa de aprovação de preço pela CMED antes de chegar às prateleiras.
Para o BTG Pactual, a aprovação muda o eixo da discussão.
“O lançamento da Ozivy desloca o debate do cliff de patentes dos GLP-1 no Brasil de uma questão de timing regulatório para uma questão de execução, com prazo de lançamento, precificação, oferta, logística de cadeia fria e elasticidade se tornando as variáveis-chave”, aponta o relatório do banco.
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O pipeline ainda é relevante: há 17 pedidos de registro de semaglutida em diferentes estágios na Anvisa, com seis ainda em análise técnica. A capacidade declarada da agência é de até três análises por semestre em cada categoria.
Preços menores, mas margens podem surpreender
O JP Morgan estima que a Ozivy deve chegar ao mercado entre R$ 400 e R$ 600 por dose — cerca de 50% abaixo do produto de marca. Ainda assim, a rentabilidade para o varejo pode ser superior.
“Espera-se que os varejistas de medicamentos se beneficiem da semaglutida genérica, com margens provavelmente maiores em comparação com a versão original — cerca de 25% a 30% para o genérico versus 10% a 15% para a semaglutida de marca”, destaca o relatório do JP Morgan.
Mercado bilionário com espaço para crescer
Os GLP-1 já movimentaram cerca de R$ 10 bilhões no Brasil em 2025 e representam aproximadamente 11% da receita das principais redes de farmácias. O BTG estima que o mercado pode alcançar R$ 16 bilhões em 2026.
“Se preços menores desbloquearem volume incremental suficiente, a categoria pode se tornar materialmente maior, com produtos não-originadores potencialmente oferecendo melhores condições comerciais, sustentando o lucro bruto por paciente recorrente mesmo com receita menor por caneta”, avalia o BTG Pactual.
RD Saúde, Pague Menos e Panvel são as empresas mais citadas como beneficiárias do movimento, com valuations vistos como atrativos após período de desempenho abaixo da bolsa.






