O Safra avalia que o nível atual das ações do setor de construção civil já excede os riscos negativos para os lucros das empresas, abrindo o que os analistas Rafael Rehder e Olavo Fleming chamam de bom ponto de entrada no segmento. O destaque é a Direcional (DIRR3), considerada a empresa mais bem posicionada para navegar um ambiente de pressão inflacionária crescente.
O banco mantém recomendação de compra para Direcional, com preço-alvo de R$ 22 e potencial de valorização de 64%; Cury (CURY3), com alvo de R$ 50 e upside de 56%; Tenda (TEND3), com alvo de R$ 41 e upside de 26%; e Plano e Plano (PLPL3), com alvo de R$ 24 e o maior upside da lista, de 153%. Para a MRV (MRVE3), a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 11 e upside de 79%.
Inflação da construção desacelera em maio, mas pressão persiste
O índice INCC-M, que mede a inflação no setor de construção civil, recuou para 0,77% em maio, queda de 27 pontos-base em relação a abril. A desaceleração foi puxada tanto pelos materiais quanto pela mão de obra, aliviando o risco de uma aceleração inflacionária mais intensa no curto prazo.
Os materiais e equipamentos, que respondem por cerca de 55% do índice, avançaram 1,08% no mês — abaixo dos 1,40% registrados em abril. Os materiais estruturais, como cimento e estruturas metálicas, desaceleraram de 1,82% para 0,99% no período. No acumulado de 12 meses, o INCC-M chegou a 6,82%.
“Os dados de maio vieram melhores do que o esperado, com a desaceleração tanto nos materiais quanto nos custos de mão de obra reduzindo o risco de uma aceleração inflacionária mais forte no curto prazo”, afirmam Rehder e Fleming.
PVC, impermeabilização e cimento lideram altas
Entre os itens com maior alta no mês, tubos e conexões de PVC (+2,82%) lideraram pelo segundo mês consecutivo, seguidos por impermeabilizantes (+2,78%) e cimento Portland comum (+2,51%). Na outra ponta, fios elétricos (-0,18%) e ferragens (-0,16%) registraram as quedas mais expressivas.
No recorte regional, o Rio de Janeiro liderou com alta de 0,96% no mês, seguido por Porto Alegre (0,86%) e Recife (0,85%). No acumulado de 12 meses, Porto Alegre concentra a maior pressão, com inflação de 7,79%, seguida por São Paulo, com 7,38%.
MCMV com acessibilidade recorde protege margens
Os analistas do Safra destacam que o cenário atual é estruturalmente diferente do choque inflacionário de 2020 a 2022. A acessibilidade no programa Minha Casa Minha Vida está em níveis recordes, o que facilita o repasse de custos aos preços finais sem comprometer a demanda.
“Diferentemente do choque inflacionário de 2020–2022, a acessibilidade no MCMV está agora em níveis recordes, o que facilita o repasse de preços, enquanto as empresas já estão incorporando premissas de inflação mais conservadoras em seus orçamentos, de cerca de 8%”, escrevem Rehder e Fleming.
A Direcional é a preferida do banco justamente por ter uma folga maior de economias de custos ainda a ser reconhecida.
“Vemos a Direcional negociando a um atrativo múltiplo de 5,7 vezes o lucro ajustado estimado para 2027 — e mesmo assumindo uma surpresa negativa de dois pontos percentuais na margem bruta, o papel ainda estaria sendo negociado a um valuation atraente de cerca de 6,3 vezes”, concluem os analistas.






