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Estrangeiros ajudam e B3 tem lucro líquido muito acima do esperado

Estrangeiros ajudam e B3 tem lucro líquido muito acima do esperado

Desempenho foi impulsionado pelo expressivo benefício fiscal do JCP extraordinário de R$ 1,5 bilhão

A B3 ($B3SA3) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 1,97 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 57% na comparação trimestral e 64,4% na anual. O resultado veio 23% acima do consenso de mercado e 8% das estimativas da Genial Investimentos, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (27).

O desempenho foi impulsionado pelo expressivo benefício fiscal do JCP extraordinário (R$ 1,5 bilhão declarado), mas também por fundamentos sólidos: crescimento de receita de 10,6% ano a ano, controle de despesas (+1,5% ano a ano) e resultado financeiro favorecido pelo CDI.

Além do JCP extraordinário – que a Genial considera recorrente em seus números – a B3 também reconheceu um efeito contábil negativo de aproximadamente R$ 1 bilhão, sem impacto caixa, decorrente da atualização do imposto diferido associado à amortização fiscal do ágio, após a elevação da alíquota de CSLL. Para esse efeito contábil não-caixa, a casa está ajustando como não-recorrente.

Mercado à vista

O volume médio diário (ADTV) atingiu R$ 26,2 bilhões (+2,3% a/a; +20,4% trimestre a trimestre), revertendo a tendência de queda dos trimestres anteriores. O crescimento foi puxado por ETFs, BDRs e Fundos Listados, que ganharam participação no volume total.

A margem de negociação (take rate) recuou levemente para 3,106 pontos-base, reflexo de maiores incentivos a formadores de mercado e políticas de descontos por volume, o que a Genial considera saudável para manter a liquidez do ecossistema.

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Perspectivas para 2026

O início de 2026 tem mostrado forte aceleração do ADTV, impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro. A combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos sugere que esse movimento pode se sustentar ao longo do ano.

A Genial destaca o enfraquecimento do dólar, que torna ativos brasileiros mais atrativos para investidores globais, e as tensões geopolíticas persistentes, que têm levado a um rebalanceamento de carteiras com migração de recursos do segmento de tecnologia para outros setores e geografias.

Além disso, o ciclo de queda de juros no Brasil e o início do afrouxamento monetário nos EUA devem tornar a renda fixa local menos atrativa na margem e estimular a busca por risco, favorecendo a bolsa. Os múltiplos das empresas brasileiras seguem descontados frente à média histórica e a pares emergentes.