As ações da Embraer (EMBJ3) subiam 6,56% nesta segunda-feira (10), negociadas a R$ 98,59 às 10h42, após o balanço do segundo trimestre de 2026 superar as projeções de BTG Pactual (BPAC11) e Safra. Os papéis chegaram a ultrapassar R$ 101 durante a manhã.
A reação positiva refletiu tanto os números reportados quanto o desempenho sem efeitos extraordinários. Além disso, a companhia elevou as projeções de margem operacional e dobrou o piso esperado para o fluxo de caixa livre em 2026.
A receita líquida cresceu 23% em um ano, para US$ 2,24 bilhões. O valor ficou 6% acima da estimativa do BTG, 10% superior à projeção do Safra e 11% maior que o consenso acompanhado pelo banco.
O lucro líquido ajustado, desconsiderando a Eve, atingiu US$ 219 milhões, alta anual de 38%. O resultado superou em 84% o consenso de US$ 119 milhões e ficou mais de duas vezes acima dos US$ 102 milhões projetados pelo BTG.
“Embora o trimestre tenha sido significativamente beneficiado por itens não recorrentes, o resultado subjacente permaneceu bem acima do consenso em todas as principais linhas”, afirmam os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti, do Safra.
PublicidadePublicidade
Resultado “limpo” da Embraer também surpreende
O Ebit ajustado somou US$ 297 milhões, com margem de 13,3%. O número incluiu um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões, fator que poderia reduzir a qualidade percebida do resultado.
Mesmo sem esse benefício, porém, o Safra calculou Ebit de US$ 229 milhões, 23% acima de sua projeção e 28% superior ao consenso. A margem ajustada cairia para 10,2%, mas ainda permaneceria 1,4 ponto percentual acima da expectativa do mercado.
O BTG também excluiu o crédito tributário, US$ 11 milhões em despesas relacionadas à Eve e US$ 8 milhões em custos com tarifas americanas. Nesse cálculo, o Ebit alcançou US$ 237 milhões, com margem de 10,6%, diante dos 7,8% esperados pelo banco.
Já o Ebitda ajustado sem o crédito e o impacto tarifário atingiu US$ 296 milhões, ficando 36% acima da projeção do BTG. Para o banco, os números mostram que a surpresa positiva não dependeu apenas dos efeitos extraordinários.
“Mesmo excluindo os itens não recorrentes, o trimestre foi muito sólido. Isso sugere que o verdadeiro ponto fora da curva foi o primeiro trimestre e que a operação voltou à normalidade”, declaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG.
A geração de caixa também melhorou. O fluxo de caixa livre, desconsiderando a Eve, ficou positivo em US$ 401 milhões, após consumo de US$ 447 milhões no primeiro trimestre. A dívida líquida caiu de US$ 392 milhões para US$ 124 milhões, reduzindo a alavancagem de 0,6 vez para 0,2 vez.
Leia também:
Projeções maiores reforçam reação das ações
A Embraer manteve as estimativas de receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões e de entrega de 80 a 85 aviões comerciais e 160 a 170 jatos executivos em 2026.
A projeção de margem Ebit, entretanto, subiu de um intervalo entre 8,7% e 9,3% para uma faixa entre 10% e 10,6%. O piso esperado para o fluxo de caixa livre aumentou de mais de US$ 200 milhões para pelo menos US$ 400 milhões.
Os bancos ponderaram que a maior parte da revisão da margem veio do crédito tributário e da isenção das tarifas americanas sobre importações diretas. Dos aproximadamente US$ 110 milhões adicionados ao ponto médio da projeção de Ebit, apenas US$ 4 milhões foram atribuídos a uma melhora adicional do ambiente operacional.
Ainda assim, o resultado ajustado acima das estimativas, a recuperação do caixa e a perspectiva de um segundo semestre mais forte sustentaram as avaliações positivas. O BTG manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 97 para os ADRs da Embraer, enquanto o Safra reiterou desempenho superior e alvo de US$ 92.






