A confirmação da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina levou o Brasil a suspender preventivamente as exportações de carne de aves para a China. Para a Ativa Investimentos, a notícia é negativa para a MBRF (MBRF3), dada a relevância da companhia nas vendas externas brasileiras de aves. A casa de análise mantém recomendação neutra para as ações MBRF3, com preço-alvo de R$ 22.
A interrupção dos embarques decorre do protocolo sanitário entre os dois países, que prevê a suspensão automática em ocorrências da Doença de Newcastle ou de gripe aviária. A China foi destino de cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026.
Segundo a Ativa, o principal problema para a MBRF é o possível redirecionamento temporário de volumes para mercados menos rentáveis. Por isso, a casa avalia que o episódio tende a pesar sobre a companhia, que tem posição de destaque nas exportações do setor.
A intensidade do impacto, porém, depende de dois fatores: quanto tempo durará a suspensão e qual será sua abrangência. O efeito pode ser limitado se a China decidir regionalizar a restrição, como já ocorreu em 2024.
As autoridades chinesas ainda avaliarão se o bloqueio valerá para todo o Brasil ou apenas para a região afetada. Em 2024, após um caso semelhante da Doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, a suspensão nacional durou menos de um mês e, depois, ficou restrita ao estado.
Granja interditada e produtos seguros
A propriedade em Santa Catarina foi interditada, e as cerca de 6 mil aves serão eliminadas. Segundo as informações divulgadas, esses animais não entraram na cadeia de alimentos. O governo descartou a necessidade de recall e reiterou que os produtos submetidos à inspeção sanitária permanecem seguros para consumo.
O mercado acompanha agora a decisão das autoridades chinesas sobre a extensão da suspensão, fator que deve determinar o tamanho do efeito da Doença de Newcastle sobre os resultados da MBRF.
O México já suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil. Além disso, o país deve interromper voluntariamente as vendas para a China, em linha com o protocolo sanitário firmado entre os dois governos.
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