A Petrobras (PETR3; PETR4) deve pagar dividendos menores no quarto trimestre de 2025, mesmo com resultados operacionais sólidos, segundo relatório do BTG Pactual divulgado nesta quarta-feira (11). A projeção dos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha aponta para US$ 1,2 bilhão em dividendos, abaixo do consenso de mercado de US$ 1,7 bilhão.
A pressão sobre os proventos decorre da combinação de maior investimento em capital (capex) e desembolsos extraordinários. O banco estima que a estatal brasileira terá um capex de aproximadamente US$ 5,5 bilhões no trimestre, refletindo a aceleração típica de fim de ano, além de saídas pontuais de caixa de cerca de US$ 1,7 bilhão relacionadas ao acordo da Área de Integração de Produção (AIP) de Jubarte e ao leilão da PPSA.
“Com a usual aceleração de capex no fim do ano e desembolsos de caixa pontuais de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, esperamos que os dividendos sofram pressão”, afirmam os analistas no documento.
Resultado operacional
Apesar do resultado operacional em linha com as expectativas, o BTG projeta queda de 5% no EBITDA na comparação trimestral, para US$ 11,25 bilhões, impactado principalmente pela redução de 7% no preço do petróleo Brent. O desempenho foi parcialmente compensado por margens de refino (crack spreads) mais fortes e maior volume de exportações de petróleo bruto.
A produção doméstica de petróleo ficou praticamente estável no trimestre, em 2,50 milhões de barris por dia, com a produção do pré-sal mantendo-se em 2,11 milhões de barris diários, representando 82% do total. “A produção de óleo doméstico atingiu aproximadamente 2,50 milhões de barris por dia no 4T25, estável na comparação trimestral, mas 20% superior na base anual”, destacam Almeida e Cunha.
No segmento de refino, a utilização das refinarias recuou ligeiramente para 89%, devido a projeto de expansão e manutenção na REVAP. Como resultado, as exportações de petróleo da Petrobras aumentaram 23% no trimestre, alcançando 999 mil barris por dia.
O BTG mantém recomendação neutra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15 para as ADRs (recibos negociados nos Estados Unidos), abaixo da cotação atual de US$ 15,33. “Continuamos a ver um cenário financeiro apertado, juntamente com baixa visibilidade no cenário macro-político e dividend yield não inspirador de aproximadamente 8% para 2026”, concluem os analistas.
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