No mercado financeiro, a palavra “dividendo” é um grande atrativo para os investidores, sejam eles iniciantes ou experientes. Afinal, quem não deseja ter acesso a uma renda passiva, recebendo um valor adicional que pode ser utilizado para reinvestir e criar um efeito multiplicador, ou até mesmo para pagar despesas domésticas?
Outro ponto a ser considerado é que, no Brasil, o pagamento de dividendos é isento de Imposto de Renda, o que torna ainda mais atrativo o investimento em ações que distribuem esse tipo de provento aos acionistas.
Porém, surge a dúvida: qual seria a melhor estratégia para selecionar empresas que pagam dividendos? Deve-se escolher aquelas que oferecem dividendos crescentes ou aquelas que apresentam bons dividendos?
Este artigo tem como objetivo estimular a reflexão sobre a estratégia de seleção dos investimentos, considerando se é mais vantajoso optar por empresas que oferecem dividendos crescentes ou aquelas que possuem dividendos elevados. Confira.
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Dividendos altos
Quando uma pessoa decide investir no mercado de ações em busca de dividendos, um dos primeiros indicadores que ela pesquisa é o Dividend Yield.
Essa métrica é utilizada para avaliar o retorno proporcionado por um investimento em ações através do pagamento de dividendos.
Geralmente expresso em forma de porcentagem, o Dividend Yield oferece aos investidores uma visão do retorno que podem esperar em relação ao valor investido em forma de dividendos.
Um alto Dividend Yield indica que a empresa está distribuindo uma parcela maior de seus lucros aos acionistas. No entanto, antes de investir em uma empresa, é importante analisar outros fatores, como a saúde financeira da empresa, suas perspectivas futuras e a sustentabilidade dos dividendos, para avaliar a atratividade do investimento.
No Brasil, há empresas que são reconhecidas por serem boas pagadoras de dividendos. Em 2022, por exemplo, a Petrobras (PETR3; PETR4) foi a segunda maior empresa pagadora de dividendos do mundo, ficando atrás apenas da mineradora australiana BHP, ao liberar mais de R$ 200 bilhões.
Contudo, é válido mencionar que o atual presidente da estatal, Jean-Paul Prates, admitiu estar estudando a possibilidade de modificar a política de distribuição de dividendos para adotar uma postura menos agressiva.
Além da Petrobras, outras empresas brasileiras também distribuíram quantias significativas de dividendos em 2022. Ao longo do período de janeiro a setembro, as empresas distribuíram R$ 301,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas.
Os setores que mais pagaram dividendos foram: Petróleo, Agronegócio, Energia Elétrica, Bancos, Mineração, Siderurgia e Industrial.
Para este ano, há expectativa de que algumas empresas liberem as maiores quantias de dividendos, entre elas estão a Petrobras (PETR3; PETR4), Metal Leve (LEVE3), Banco do Brasil (BBAS3), Ferbasa (FESA4) e CPFL Energia (CPFE).
Dividendos crescentes
Já os dividendos crescentes são pagamentos de dividendos que aumentam ao longo do tempo. Isso significa que a empresa distribui uma parcela maior de seus lucros aos acionistas a cada período de distribuição de dividendos.
O aumento dos dividendos pode ser resultado do crescimento dos lucros da empresa, de sua política de distribuição de dividendos ou de uma combinação de ambos.
Por exemplo: se você comprou uma ação a R$ 10 que pagava R$ 1 de dividendos há 10 anos, seu dividend yield on cost (dividendo em relação ao preço médio de aquisição) era de 10%.
Mas se a ação se valorizou e ela paga R$ 3 de dividendos, seu atual dividend on cost será de 30%. Isto é, taxa muito maior que boa parte das pagadoras de dividendos da bolsa brasileira. Aliás, você ganhou na valorização da ação e o seu dividend on cost triplicou.
Empresas que conseguem aumentar consistentemente seus dividendos ao longo do tempo geralmente são vistas como boas pagadoras de dividendos e podem atrair investidores que buscam renda passiva e estabilidade financeira.
Investidores que procuram empresas com dividendos crescentes buscam não apenas uma fonte de renda estável, mas também um sinal de saúde financeira e crescimento sustentável da empresa.
No entanto, é importante lembrar que o histórico passado de dividendos não garante que eles continuarão a crescer no futuro, e a análise de outros fatores, como a saúde financeira da empresa e suas perspectivas futuras, é fundamental para tomar decisões de investimento informadas.
Nos Estados Unidos, há um termo para se referir para as empresas que possuem dividendos em constante crescimento ao longo do tempo, os Dividend Kings (com crescimento constante há 50 anos) e os Dividend Aristocrats (com crescimento constante há 25 anos).
Essas empresas são consideradas sólidas, estáveis e confiáveis, pois conseguem gerar fluxo de caixa constante e sustentável, mesmo em períodos de crises econômicas.
No Brasil, este conceito ainda é pouco difundido , visto que o mercado acionário brasileiro ainda seja relativamente jovem em comparação ao americano.
Mas ainda assim é possível escolher companhias com crescimento constante nos seus dividendos. Por aqui, é possível encontrar empresas que pagam dividendos constantes na Unipar (UNIP6), Vale (VALE3), Itaú (ITUB4), Cemig (CMIG4), Taesa (TAEE11) e Banco do Brasil (BBAS3).
“Não olhe para o passado”, diz Moran sobre dividendos
O head da EQI Research, Luís Moran, ressalta que o investidor não deve olhar para o passado ao escolher quais empresas ele deve investir, mas ficar atento ao que vem pela frente.
“O passado recente não é um bom indicador para montar uma carteira com foco em ações pagadoras de dividendos: Não dá para olhar a carteira dessa forma, pois esse não é um bom indicador. Sempre se deve fazer investimentos olhando para frente”, explicou Moran.
Moran cita que usar apenas o pagamento de dividendos para encontrar as melhores ações não deve ser o guia para selecionar as ações.
Ele aponta que, por exemplo, grandes pagadoras de dividendos dos Estados Unidos são empresas da indústria do tabaco, setor que, reconhecidamente, não tem muito crescimento futuro em vista e, portanto, tem pouca necessidade de fazer investimentos. Logo, o lucro é distribuído na forma de dividendos.
Outro exemplo de que pagar mais dividendos não deve ser o critério central na escolha de ações para a carteira se deu no último ano, em que muitas empresas brasileiras turbinaram os proventos, já de olho na Reforma Tributária e em uma provável taxação dos dividendos.
Conclusão
A escolha entre investir em ações que distribuem bons dividendos ou em ações com dividendos crescentes depende dos seus objetivos e estratégia de investimento.
Investir em ações que distribuem bons dividendos é uma estratégia comum para investidores que buscam renda passiva regular. Essas ações geralmente pertencem a empresas estabelecidas e maduras, que têm um histórico consistente de distribuição de lucros aos acionistas na forma de dividendos. Essa abordagem pode ser atraente para investidores que desejam obter fluxo de caixa estável e previsível a partir dos seus investimentos.
Já a estratégia de dividendos crescentes pode ser interessante para investidores que buscam não apenas renda passiva, mas também valorização do capital ao longo do tempo. Empresas que aumentam consistentemente seus dividendos geralmente indicam força financeira e um bom desempenho operacional.
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