As perspectivas de crédito da Petrobras (PETR3; PETR4) devem seguir sustentadas por um portfólio operacional eficiente, marcado por ganhos recorrentes de produtividade e pela entrada de novas plataformas. Esses fatores tendem a sustentar o Ebitda mesmo em um cenário de preços de petróleo menos favoráveis.
No entanto, a possível redução na geração de caixa indica que a flexibilidade financeira da companhia dependerá, sobretudo, da disciplina na execução de investimentos e da trajetória do Brent ao longo de 2026 — variável que, no momento, encontra suporte na recente alta dos preços internacionais.
De acordo com relatório do BB Investimentos, a perspectiva de crédito da estatal permanece estável, com atenção voltada à execução do plano de investimentos, ao comportamento das commodities e à disciplina na alocação de capital.
O relatório destaca como ponto positivo a forte geração de caixa operacional da Petrobras, suficiente para financiar investimentos e honrar compromissos financeiros, reforçando a resiliência do modelo de negócios.
Pontos de atenção
Entre os principais riscos, o BB Investimentos aponta a volatilidade dos preços do petróleo e do câmbio, fatores que podem impactar o nível de endividamento no médio prazo, especialmente diante da elevada necessidade de capex no setor.
Outro desafio relevante é a reposição de reservas, diante da expectativa de declínio da produção do pré-sal a partir da década de 2030. Segundo o relatório, esse fator exigirá novos investimentos para sustentar os níveis de produção ao longo do tempo.
Também são mencionados riscos relacionados à governança, especialmente possíveis divergências entre os interesses da companhia e de seu controlador, o governo federal. Questões ambientais seguem como um ponto de atenção adicional para o setor.
Alavancagem sob controle
Apesar dos desafios, a alavancagem da Petrobras segue em patamar considerado confortável. No quarto trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado ficou em 1,42x, alta de 0,13 ponto frente ao fim de 2024, refletindo principalmente o avanço dos investimentos e a política de remuneração aos acionistas.
O relatório ressalta que 84% dos investimentos estão direcionados ao segmento de exploração e produção (E&P), área de maior rentabilidade da companhia. Esse foco, aliado à sólida posição de liquidez, contribui para o cumprimento das obrigações de curto prazo.
Segundo o BB Investimentos, a Petrobras mantém competitividade em custos, apesar da elevação do lifting cost no pré-sal, que avançou 7,1% na comparação anual. O movimento reflete maiores despesas com manutenção e inspeções submarinas, sem comprometer, até o momento, a eficiência operacional da companhia.
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