A análise do banco Safra aponta que a recente deterioração do sentimento no segmento de habitação popular, especialmente no Minha Casa Minha Vida (MCMV), criou uma assimetria positiva para investidores.
Apesar da queda de cerca de 30% a 35% nas ações desde os picos recentes, os fundamentos do setor permanecem sólidos, sustentados por demanda resiliente e menor sensibilidade às oscilações de juros.
Segundo os analistas Rafael Rehder e Olavo Fleming, o cenário atual reflete mais um choque de percepção do que uma mudança estrutural.
“Acreditamos que esse pano de fundo abre um ponto de entrada atraente, já que os fundamentos do setor permanecem inalterados”, afirmam. O aumento recente das preocupações inflacionárias, impulsionado por tensões geopolíticas, contribuiu para o movimento de aversão a risco.
Além disso, o Safra destaca que há amortecedores relevantes para mitigar surpresas de custo, enquanto a acessibilidade no MCMV atingiu níveis recordes, facilitando o repasse de preços. Apesar de pontos de atenção, como maior endividamento das famílias e leve alta na inadimplência inicial, os indicadores de crédito seguem saudáveis diante de um mercado amplo.
Seletividade
Em um ambiente mais cauteloso, o banco reforça a importância da seletividade na escolha de ações. A preferência recai sobre empresas com menor beta, histórico comprovado de execução e geração consistente de resultados. Nesse contexto, a Direcional aparece como a principal escolha da casa. O preço-alvo é de R$ 19, o que corresponde a um potencial de valorização de 52%.
“A recente correção das ações abre uma oportunidade relevante, com histórias de menor volatilidade oferecendo melhor retorno ajustado ao risco”, escrevem Rehder e Fleming.
A Direcional se destaca, segundo o relatório, por sua menor exposição a choques inflacionários, graças a um mix de receitas mais ligado à venda de estoques e ganhos de eficiência ainda a capturar.
Com queda de aproximadamente 30% desde as máximas recentes, a expectativa é de múltiplos atrativos para a companhia, com P/L ajustado de 5,4 vezes e dividend yield estimado em 13% até o fim de 2027. O Safra vê esse conjunto como particularmente atraente no cenário atual de mercado.
Outras empresas
Entre as demais companhias, Cury (CURY3), preço-alvo de R$ 45 (upside de 54%) e Tenda (TEND3), preço-alvo de R$ 46 (upside de 50%) também figuram como recomendações positivas, ainda que com características distintas.
A Cury apresenta maior exposição a pressões de custo, compensada parcialmente por sua carteira de recebíveis indexados à inflação. Já a Tenda se destacou com forte alta no ano, apoiada por resultados acima do esperado e revisões positivas de lucro.
Por outro lado, o Safra mantém postura mais cautelosa em nomes como MRV (MRVE3), recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7 (31% de upside) e Plano&Plano, recomendação de compra com preço-alvo de R$ 12 (upside de 41%).
No caso da MRV, a alavancagem segue como um fator limitante, enquanto a Plano&Plano enfrenta revisões negativas de lucro decorrentes de vendas mais fracas e compressão de margens.
“Direcional apresenta a menor exposição a choques inflacionários, sustentada por um mix de receitas mais resiliente e potenciais ganhos de eficiência”, destacam os analistas.
Ainda assim, o relatório ressalta riscos relevantes, incluindo inflação de custos acima do esperado, pressões salariais, aumento do endividamento das famílias e possíveis restrições de funding via FGTS.






