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Dasa cria oportunidades de valor, mas ainda precisa se provar

Dasa cria oportunidades de valor, mas ainda precisa se provar

Empresa conclui R$ 2 bilhões em desinvestimentos e mira redução de pelo menos 1,0x na alavancagem líquida em 2026

Embora a Dasa (DASA3) crie “numerosas oportunidades de criação de valor”, particularmente na Rede Américas, o BTG Pactual decidiu manter uma avaliação neutra para a empresa, mostra um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (2).

O banco realizou nesta semana um café da manhã com a equipe de gestão da empresa, incluindo o CFO Rafael Bossolani, a CFO da Rede Américas Viviane Valente e o diretor de RI Felipe Tavares.

Foi o primeiro encontro do banco com um executivo da joint venture formada entre Dasa e Amil, o que tornou a reunião particularmente relevante para os analistas.

A recomendação segue neutra, com preço-alvo de R$ 2,50, implicando potencial de desvalorização de aproximadamente 7% em relação aos níveis atuais.

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Diagnósticos: crescimento e eficiência ainda têm espaço

Bossolani reforçou a estratégia vigente desde o início de 2025: desalavancagem, eficiência operacional e gestão ativa do portfólio. A Dasa já concluiu cerca de R$ 2 bilhões em desinvestimentos de ativos não essenciais, e a meta agora é reduzir a alavancagem líquida em pelo menos 1,0x Ebitda ao longo do ano.

O crescimento no negócio de diagnósticos tem sido liderado pelos segmentos premium, B2B e home services, com a gestão confiante em manter expansão de receita de dois dígitos.

A empresa continua ganhando participação de mercado e melhorando a utilização dos ativos, com espaço para nova expansão de margem por meio de melhorias operacionais e melhor gestão dos ativos“, destacaram Alves e Resende.

Rede Américas: 200 pontos-base de margem em um ano

Desde a formação da joint venture, as margens Ebitda da Rede Américas melhoraram cerca de 200 pontos-base, com o Ebitda pro forma crescendo entre 30% e 40%.

Viviane Valente destacou dois vetores principais de criação de valor: captura de sinergias em compras, integração de sistemas e otimização de despesas administrativas, e fortalecimento do poder de negociação com as operadoras de saúde.

Operacionalmente, cerca de 90% dos leitos já estão em operação, com meta de chegar a pelo menos 95% nos próximos anos.

“A gestão espera crescimento de Ebitda de dois dígitos para o negócio hospitalar nos próximos dois a três anos, com a Rede Américas continuando a reduzir o gap de rentabilidade em relação à líder de mercado”, apontaram Samuel Alves e Maria Resende.

Expansão autofinanciada e sem nova injeção de capital

O plano de expansão da Rede Américas prevê a adição de 600 a 700 leitos, principalmente via projetos brownfield, ainda sob avaliação. Greenfields só entram no radar a partir de 2027. O capex dos últimos doze meses ficou em R$ 166 milhões, focado em manutenção, expansões seletivas e oncologia.

A gestão é clara: a expansão deve ser totalmente autofinanciada, sem necessidade de novas injeções de capital dos sócios. O nível de conforto para a estrutura de capital de médio prazo é uma relação dívida líquida sobre Ebitda de cerca de 2,5 vezes, excluindo IFRS 16.

Juros altos seguem como o principal risco

Apesar do progresso operacional, o BTG mantém a cautela.

“O ambiente de juros mais altos por mais tempo representa um obstáculo importante ao processo de desalavancagem, enquanto os riscos de execução permanecem elevados dada a complexidade do turnaround”, concluíram Alves e Resende.

A capacidade de a Dasa continuar melhorando a geração de caixa livre e reduzindo a alavancagem será o principal termômetro para o desempenho das ações daqui para frente.

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