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Cury aposta em geração consistente de caixa

Cury aposta em geração consistente de caixa

Após reunião com a administração da companhia, o Santander reforçou sua visão positiva para a Cury

A capacidade de gerar caixa de forma consistente continua sendo o principal diferencial da Cury (CURY3) e um dos motivos que levam o Santander (SANB11) a manter a construtora como sua principal aposta no setor imobiliário. Após reunião com a administração da companhia, o banco reforçou sua visão positiva para a empresa, destacando potencial de revisão para cima dos lucros, dividendos robustos e uma avaliação considerada atrativa pelo mercado.

Em relatório divulgado após encontro com executivos da companhia, incluindo o co-CEO Leonardo Mesquita, o Santander reiterou a classificação da Cury como sua “Top Pick” entre as incorporadoras brasileiras. A instituição avalia que o consenso de mercado ainda subestima os resultados futuros da empresa e vê espaço para uma alta de cerca de 11% nas estimativas de lucro líquido para 2027.

A confiança do banco está apoiada em uma combinação de crescimento acelerado dos resultados, rentabilidade elevada e forte retorno aos acionistas. As projeções apontam para um dividend yield de 12,7% em 2027, enquanto a ação negocia a cerca de 5,5 vezes o lucro estimado para o mesmo período, mesmo diante de uma expectativa de crescimento anual composto de 21% do lucro por ação entre 2025 e 2028.

Caixa como indicador de eficiência

Durante a reunião, a administração reforçou que a geração de caixa permanece no centro da estratégia operacional da companhia. Segundo Leonardo Mesquita, a empresa busca atuar como uma geradora recorrente de caixa, com capacidade de distribuir recursos aos acionistas de forma frequente, ainda que fatores sazonais possam provocar oscilações trimestrais.

Mais do que uma métrica financeira, o caixa é tratado internamente como um indicador da qualidade operacional dos projetos. De acordo com o executivo, quando um empreendimento apresenta boas vendas, é transferido para financiamento da Caixa Econômica Federal e ainda assim não gera caixa, isso pode sinalizar problemas de execução, medições de obra ou até mesmo na qualidade das vendas realizadas.

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Essa disciplina operacional tem sido um dos pilares que sustentam a rentabilidade da companhia em um ambiente de mercado mais desafiador.

Postura mais cautelosa

Apesar da visão construtiva para os próximos anos, a administração demonstrou maior cautela em relação ao cenário macroeconômico e regulatório.

Segundo Mesquita, o segundo trimestre de 2026 apresenta comportamento semelhante ao observado no início do ano em termos de vendas. No entanto, a estratégia da companhia passou a priorizar aumentos de preços em vez da aceleração do ritmo de comercialização dos empreendimentos.

A decisão reflete preocupações com fatores como inflação de custos, discussões sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1 e a aproximação do ciclo eleitoral, que podem aumentar a volatilidade do ambiente de negócios.

Mesmo assim, a demanda por imóveis continua forte, segundo a administração. A companhia vem avaliando projeto por projeto a capacidade do mercado de absorver reajustes de preços, buscando maximizar margens sem comprometer a velocidade das vendas. Quando identifica resistência dos compradores, a estratégia é rapidamente ajustada para preservar a liquidez dos empreendimentos.

Perspectiva positiva para os resultados

Na avaliação do Santander, a combinação entre demanda resiliente, ganhos de produtividade e disciplina operacional cria condições favoráveis para que a Cury continue ampliando seus resultados nos próximos anos.

O banco destaca que a empresa mantém indicadores de rentabilidade muito acima da média do setor, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) próximo de 80% em 2026 e 2027. Ao mesmo tempo, a forte geração de caixa reforça a capacidade de distribuir dividendos elevados sem comprometer o crescimento do negócio.

Para o Santander, a postura mais conservadora adotada pela administração em relação a lançamentos e orçamento não altera a tese de investimento. Pelo contrário: demonstra foco na preservação de margens e na execução disciplinada em um ambiente mais incerto, reforçando a confiança de que a companhia continuará entregando resultados acima das expectativas do mercado.