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Bradesco lidera perdas do Ibovespa, enquanto BTG Pactual vê desaceleração dos resultados

Bradesco lidera perdas do Ibovespa, enquanto BTG Pactual vê desaceleração dos resultados

Em seu balanço, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre do ano, alta de 14,6%

As ações do Bradesco (BBDC4) lideram as quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (23), com recuo de cerca de 2%, em meio à avaliação do BTG Pactual (BPAC11) de que, apesar dos avanços na reestruturação do banco e na melhora de seus indicadores de capital, a perspectiva para os resultados continua desafiadora.

Em relatório, o banco de investimentos reiterou a recomendação neutra para as ações do Bradesco. Segundo os analistas, a instituição financeira vem apresentando progressos importantes em seu processo de transformação, mas o ritmo de crescimento dos lucros começa a perder força diante da perspectiva de desaceleração econômica e aumento das provisões para perdas com crédito.

O BTG destaca que o Bradesco já havia sinalizado, durante sua conferência com investidores em Nova York, que o crescimento da carteira de crédito deveria desacelerar no segundo semestre de 2026. Ao mesmo tempo, a expectativa é de aumento das provisões, à medida que a piora das perspectivas macroeconômicas seja incorporada aos modelos de perdas esperadas do banco.

Parte dessa pressão poderá ser compensada pelo crescimento das receitas com tarifas e pelo controle de custos. Ainda assim, os analistas avaliam que o ambiente operacional deve continuar exigente nos próximos trimestres.

Em seu balanço, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre do ano, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre, o resultado cresceu 0,8%. Sem eventos não recorrentes no período, o lucro contábil teve o mesmo valor.

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Indicadores de capital apresentam melhora

O relatório aponta avanços na estrutura de capital do Bradesco. O índice de capital principal, conhecido como CET1, subiu 0,8 ponto percentual no terceiro trimestre, alcançando 12,1%. O índice de capital de nível 1 (Tier 1) chegou a 13,7%, enquanto o índice de capital total atingiu 16%.

Os indicadores ainda não incorporam integralmente o benefício potencial da reorganização da BradSaúde, que permanece sob análise regulatória.

O banco também destinou R$ 4,1 bilhões ao pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) durante o trimestre.

Apesar da evolução, o BTG ressalta que o patrimônio tangível continua relativamente baixo em relação ao patrimônio líquido total. Para os analistas, ampliar essa proporção permanece entre os objetivos importantes da instituição, mesmo após os avanços recentes e as medidas adotadas para fortalecer sua estrutura financeira.

O relatório reconhece que o Bradesco vem tomando decisões consideradas difíceis, mas necessárias, incluindo o aumento de capital, além de adotar uma postura de enfrentamento dos problemas e de melhoria contínua dos negócios.

Desaceleração econômica preocupa analistas

Na avaliação do BTG Pactual, a desaceleração da economia brasileira já está, em grande parte, contratada até o fim do primeiro semestre de 2027. A trajetória de recuperação a partir da segunda metade do próximo ano, porém, ainda é incerta.

Esse cenário tende a afetar a demanda por crédito e a qualidade dos ativos bancários, elevando a necessidade de provisões e pressionando a rentabilidade. Embora o Bradesco continue executando seu plano de transformação, os analistas consideram que o impulso dos resultados operacionais está perdendo intensidade.

Um ambiente macroeconômico mais favorável permitiria ao banco avançar mais rapidamente na recuperação de seus indicadores financeiros e na melhoria da rentabilidade.

Eleições de 2026 podem influenciar ações do Bradesco

O BTG também destaca a eleição presidencial como um catalisador cada vez mais relevante para as ações do Bradesco. O resultado do pleito poderá oferecer maior visibilidade sobre a trajetória fiscal brasileira e, consequentemente, sobre o comportamento das taxas de juros de curto e longo prazo.

Embora esse fator seja importante para todo o setor bancário, o banco de investimentos considera que seus efeitos podem ser mais significativos para Bradesco, Banco do Brasil e Santander do que para o Itaú Unibanco.

A avaliação reflete a sensibilidade dessas instituições às condições macroeconômicas e à evolução do risco de crédito.

BTG prefere Bradesco ao Banco do Brasil, mas mantém Itaú como única compra

Mesmo com a recomendação neutra para o Bradesco, o BTG Pactual afirma que continua preferindo as ações do banco privado às do Banco do Brasil (BBAS3).

A preferência relativa, contudo, não significa uma recomendação de compra. Entre os grandes bancos tradicionais brasileiros, o Itaú (ITUB4) permanece como a única instituição com recomendação de compra na cobertura do BTG.

O posicionamento reflete a combinação de avanços operacionais do Bradesco com as incertezas sobre o ritmo de recuperação dos lucros, a evolução da economia e a necessidade de fortalecer o patrimônio tangível.

Assim, apesar da melhora dos indicadores de capital e dos esforços de reestruturação, o banco de investimentos avalia que ainda é necessário acompanhar a capacidade do Bradesco de sustentar os resultados em um ambiente econômico mais adverso.

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