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Brasil lidera adoção cripto global e amplia peso na América Latina

Brasil lidera adoção cripto global e amplia peso na América Latina

País movimentou US$ 252,5 bilhões em 12 meses, ampliou sua relevância na América Latina e registrou avanço de 495% na economia de stablecoins

O Brasil ocupa a primeira posição mundial no índice de adoção cripto em nível de base da Chainalysis e mantém ampla liderança entre as economias de criptoativos da América Latina.

O país movimentou US$ 252,5 bilhões no período de 12 meses encerrado em 30 de junho de 2026 e, ao mesmo tempo, registrou uma expansão de 495% em sua economia de stablecoins, um dos principais destaques do novo Geography of Cryptocurrency Report 2026, divulgado pela empresa de análise de blockchain.

O volume brasileiro ficou bem acima dos US$ 88,5 bilhões registrados pela Argentina e dos US$ 77,6 bilhões do México, segundo o levantamento. A América Latina, como um todo, movimentou US$ 593,8 bilhões em criptoativos no período e apresentou crescimento de 9,8%, mesmo em um ambiente internacional menos favorável ao mercado.

Brasil movimentou US$ 252,5 bilhões em criptoativos no período, quase três vezes o volume registrado pela Argentina, segunda maior economia cripto da América Latina. Fonte: Chainalysis.

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Brasil amplia peso regional apesar de recuo no período mais recente

A liderança brasileira ganhou força nos últimos anos. Segundo a Chainalysis, o Brasil respondia por 31,6% do valor cripto movimentado na região no período referente a 2022. No recorte mais recente utilizado pelo relatório para essa comparação, a participação chegou a 43,7%. Os cinco maiores mercados, Brasil, Argentina, México, Venezuela e Colômbia, concentraram mais de 80% da economia regional de criptoativos.

Brasil responde pela maior parcela da atividade cripto da América Latina. A região movimentou US$ 593,8 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2026. Fonte: Chainalysis.

O avanço de longo prazo contrasta com o desempenho mais recente. A economia cripto brasileira teve retração de 1,6% no período de 2026 analisado pela Chainalysis. Ainda assim, entre os períodos reportados de 2024 e 2026, o mercado brasileiro acumulou expansão de 179,4%. Ou seja, o recuo mais recente ocorre depois de uma forte ampliação da atividade e não elimina o ganho de relevância do país no mapa da adoção cripto latino-americana.

Plataformas brasileiras ganham espaço no mercado

Outra transformação aparece na escolha das plataformas utilizadas para movimentar criptoativos. As exchanges baseadas no Brasil, que anteriormente respondiam por apenas 1,5% dos fluxos destinados às plataformas de negociação no país, passaram a concentrar 12,5%. O movimento brasileiro contrasta com o observado no restante da América Latina, onde provedores domésticos perderam participação para competidores internacionais.

A Chainalysis relaciona essa mudança a fatores como maior clareza regulatória, investimentos e fortalecimento das ofertas locais.

O relatório destaca as regras introduzidas pelo Banco Central em fevereiro de 2026 para prestadores de serviços de ativos virtuais, com exigências relacionadas a governança, gestão de riscos, segurança, compliance e capital mínimo. Na avaliação apresentada pelo estudo, as novas exigências podem elevar a confiança de instituições tradicionais no setor, mas também aumentar a pressão sobre empresas menores e favorecer a consolidação do mercado.

Stablecoins crescem 495% e avançam no mercado corporativo

As stablecoins são um dos pontos de maior destaque da análise sobre o Brasil. A economia brasileira desses ativos cresceu 495%, bem acima dos 89,4% registrados no restante da América Latina, excluído o mercado brasileiro.

A diferença também aparece nas transferências domésticas entre usuários: nas operações entre US$ 100 e US$ 1 mil, a atividade P2P com stablecoins avançou 666% no Brasil, ante 252% no restante da região.

O relatório aponta que parte relevante dessa expansão está associada ao uso corporativo. Empresas têm recorrido às stablecoins para administrar liquidez e realizar transferências internacionais. Já nos pagamentos cotidianos dos consumidores, a presença desses criptoativos tende a ser menor, segundo a análise, em razão da ampla utilização do Pix no país.

Carteiras com saldos maiores também se multiplicam

O crescimento não está restrito ao número de transações. Desde julho de 2024, a quantidade de carteiras brasileiras com pelo menos US$ 10 mil em stablecoins aumentou 347%. A alta foi significativamente superior à observada no México, de 91%, na Argentina, de 82%, e no Chile, de 47%.

De acordo com a Chainalysis, a diferença começou a ficar mais acentuada a partir de meados de 2025. O movimento indica a formação de um grupo crescente de usuários e empresas com valores mais elevados mantidos em stablecoins, paralelamente ao aumento das transferências desses ativos no Brasil.

Adoção cripto passa a dividir espaço com maturação institucional

O cenário descrito pelo levantamento sugere uma mudança no perfil da adoção cripto. Na América Latina, os criptoativos continuam sendo utilizados para transferências, proteção de valor e acesso a moedas fortes, mas serviços centralizados e instituições estabelecidas vêm ganhando espaço.

Em junho de 2026, 71,2% dos saldos em criptomoedas da região estavam mantidos em serviços, acima dos 68% registrados globalmente.

No Brasil, essa transformação aparece na combinação entre maior participação de plataformas domésticas, avanço das stablecoins e entrada mais consistente de bancos, fintechs e empresas na discussão sobre ativos digitais. O resultado é um mercado que, apesar da pequena retração registrada no último período, chega a 2026 com escala regional, mais integração com o sistema financeiro tradicional e um perfil de uso dos criptoativos cada vez mais diversificado.