A XP Investimentos retomou a cobertura das ações da Cosan (CSAN3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,90 por ação — ante R$ 9,00 anteriormente —, implicando upside de cerca de 34% em relação aos níveis atuais.
A revisão reflete o novo momento da companhia após um intenso processo de simplificação do portfólio e reestruturação financeira.
O ambiente de juros elevados desencadeou uma série de ajustes na holding, que culminaram em uma injeção de capital de aproximadamente R$ 10,5 bilhões.
“A tese de investimento passa agora, em grande medida, pela capacidade da companhia de reduzir o overhead da holding e destravar valor de seus ativos por meio de desinvestimentos e da capitalização de mercado das empresas listadas”, avaliou o analista Regis Cardoso, da XP.
Compass e Rumo no centro da tese
Em sua análise, a XP destaca que investidores que compram Cosan hoje estão majoritariamente se expondo à Compass (PASS3) e à Rumo (RAIL3), que juntas representam a maior parte do preço-alvo. Os dois ativos ancoram a tese e explicam o upside implícito nas ações da holding.
A sensibilidade é direta e relevante: cada alta de 10% nas ações da Compass representa ganho de 8% para CSAN3, enquanto o mesmo movimento na Rumo agrega 6%.
“Movimentos nos preços das ações de Compass e Rumo têm impacto direto e relevante na valuation da Cosan”, destacou Cardoso.
Opcionalidades podem reduzir desconto de holding
Além dos dois ativos principais, a XP enxerga potenciais catalisadores adicionais no nível da holding. Entre eles estão possíveis desinvestimentos em Moove e Radar, redução de despesas corporativas e eventual eliminação do desconto de holding, atualmente em cerca de 17%.
Uma eventual queda no custo de capital no Brasil também ajudaria a reduzir esse desconto, ao sustentar valuations mais elevados nas subsidiárias.
“Também vemos potenciais catalisadores para destravar valor no nível da holding, incluindo otimização adicional da estrutura de capital, especialmente por meio de eventuais desinvestimentos”, afirmou o analista Regis Cardoso.
Juros e riscos idiossincráticos ameaçam tese
Contudo, a XP elenca uma série de riscos que podem comprometer a recomendação. Juros persistentemente elevados e condições desfavoráveis para desinvestimentos estão entre os principais fatores de atenção para o papel.
No nível operacional, a Compass enfrenta o risco de revisões tarifárias adversas na Comgás, enquanto a Rumo pode sofrer pressão nas tarifas de frete com o aumento da concorrência.
Entretanto, o analista Regis Cardoso pondera que “as companhias listadas — Compass e Rumo — explicam a maior parte do upside em nosso preço-alvo”, o que ancora a tese mesmo em cenários mais adversos para a holding.






