O Bank of America retomou a cobertura da Cosan (CSAN3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 5,50, apontando um potencial de valorização de 69% com base em uma combinação de desalavancagem financeira e destravamento de valor via ativos.
Na avaliação do banco, o case passa a ser guiado por eventos, com a execução da estratégia de redução de dívida como principal catalisador.
“Retomamos a cobertura com recomendação de compra e preço-alvo que implica um upside de 69%, sustentado pela avaliação das subsidiárias e melhora gradual do fluxo de caixa da holding”, afirmam os analistas.
O relatório destaca que o mercado ainda precifica com desconto relevante o portfólio da companhia, especialmente diante do potencial de monetização de ativos e maior geração de caixa ao longo dos próximos anos.
Desalavancagem como eixo central
A estratégia da Cosan está centrada na redução de alavancagem, com meta de zerar a dívida líquida na holding ao longo do tempo, hoje estimada em cerca de R$ 9,5 bilhões até o fim de 2026.
Segundo o Bank of America, “a desalavancagem deve ser sustentada por entrada de dividendos e potenciais vendas de ativos”, incluindo movimentos recentes como o IPO da Compass, que levantou R$ 2,5 bilhões.
Além disso, o banco aponta que há opcionalidade relevante no portfólio, com possíveis desinvestimentos adicionais em negócios como Rumo, Radar e Moove, o que pode acelerar o processo de geração de valor.
Ainda assim, o principal risco está na execução. O momento e as condições de mercado para essas operações são considerados críticos, especialmente diante de um custo médio de dívida elevado e de um fluxo de caixa ainda pressionado no curto prazo.

Compass lidera geração de valor
Entre os ativos, a Compass (PASS3) aparece como o principal vetor de valor dentro do portfólio da Cosan, respondendo por parcela relevante do valor da companhia na soma das partes.
“O ativo se destaca como principal gerador de valor, com forte crescimento e perfil robusto de geração de caixa”, destacam os analistas, ressaltando o caráter mais previsível da operação de distribuição de gás.
O Bank of America iniciou a cobertura das ações, com preço-alvo de R$ 33 e recomendação de compra.
A avaliação é que a combinação entre crescimento, dividendos e visibilidade de resultados da Compass deve ancorar o processo de desalavancagem da holding ao longo dos próximos anos.
Além disso, a expectativa de aumento dos dividendos consolidados reforça a tese. O Bank of America projeta que os pagamentos devem crescer de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,8 bilhões até 2028, contribuindo para melhorar o perfil financeiro da companhia.
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