A Copel (CPLE3) teve sua revisão tarifária detalhada pelo voto do relator publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), trazendo números acima das estimativas do BTG Pactual e indicando um potencial de valorização adicional da companhia, segundo relatório dos analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz.
A principal surpresa veio da Base de Remuneração Regulatória (RAB, na sigla em inglês), que atingiu R$ 19,93 bilhões na base de dados de junho de 2026.
O valor ficou em linha com a proposta apresentada pela própria Copel — quando ajustada pela inflação — mas cerca de R$ 1,7 bilhão acima da estimativa do banco, de R$ 18,2 bilhões.
“A RAB acima do esperado reforça a base de ativos remunerados da companhia e sustenta uma revisão tarifária mais robusta do que antecipávamos”, afirmam Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz.
A RAB é um dos principais pilares do setor elétrico. Trata-se do valor dos ativos utilizados na prestação do serviço de distribuição — como redes, subestações e equipamentos — sobre os quais a distribuidora tem direito a receber remuneração regulada.
Em termos práticos, quanto maior a RAB, maior tende a ser a receita permitida da empresa, já que ela reflete a infraestrutura efetivamente empregada na operação.
Custos
Além da base de ativos, os custos operacionais regulatórios também vieram acima das projeções. O chamado opex regulatório — composto por CAOM e CAIMI — foi definido em R$ 2,66 bilhões, superando a estimativa do BTG de R$ 2,4 bilhões.
No contexto do setor elétrico, CAOM refere-se aos Custos de Administração, Operação e Manutenção, que englobam despesas necessárias para manter a rede em funcionamento, como equipes, manutenção e gestão operacional.
Já o CAIMI diz respeito a custos adicionais considerados pela regulação ligados a melhorias, inovação, modernização e iniciativas de infraestrutura que elevam o padrão do serviço.
Esses componentes são fundamentais para definir a chamada Parcela B, que representa a parte da tarifa destinada a cobrir custos gerenciáveis da distribuidora e remunerar seus investimentos. No caso da Copel, a Parcela B alcançou R$ 6,2 bilhões, acima dos R$ 5,6 bilhões estimados pelo banco. Ajustada por outras receitas e efeitos regulatórios, o valor ficou em R$ 5,7 bilhões.
Valuation
Outro destaque foi o impacto tarifário. Somando a Parcela B com a Parcela A — que inclui custos não gerenciáveis, como compra de energia e encargos — o efeito médio na tarifa foi de 20,51%, um patamar relevante para o ciclo revisional.
“O aumento da Parcela B, combinado a custos regulatórios mais altos, resultou em um impacto tarifário significativo e acima do nosso cenário base”, dizem os analistas.
Do ponto de vista de valuation, o banco estima que a revisão, principalmente devido à RAB mais elevada, adicione cerca de R$ 2 bilhões em valor presente líquido (NPV) à companhia. Isso equivale a aproximadamente R$ 0,69 por ação, ou cerca de 4,5% do valor de mercado da Copel.






