O Santander atualizou seu modelo para a Copasa (CSMG3), elevando o preço-alvo de R$ 61,68 para R$ 71,53 e reiterando a recomendação de compra para as ações da companhia mineira de saneamento. O novo alvo implica potencial de valorização de 34,3% — e, somados os dividendos estimados de R$ 2,80 para 2026, o retorno total projetado chega a 39,6%.
O relatório é assinado pelos analistas André Sampaio, Guilherme Lima e João Pedro Herrero, que classificam 2026 como um ano transformacional para a Copasa.
Novo contrato com BH
A principal mudança no modelo é a incorporação do novo contrato de concessão com Belo Horizonte, assinado em março de 2026 e com prazo estendido até 2073. O acordo consolida um custo médio ponderado de capital regulatório real pré-impostos de 13,7% durante o ciclo tarifário atual.
O contrato também prevê a incorporação anual do capex à base de ativos regulatórios e um pacote de R$ 1,6 bilhão a ser pago ao município de BH, igualmente incorporado à base.
“O novo contrato de concessão de BH consolida um WACC regulatório real pré-impostos de 13,7% durante o ciclo tarifário atual, com incorporação anual do capex à RAB nos próximos reajustes tarifários”, destacam Sampaio, Lima e Herrero.
Mecanismo de eficiência difere do modelo da Sabesp
Os analistas ressaltam uma diferença estrutural relevante entre o arcabouço regulatório da Copasa e o adotado na privatização da Sabesp. O modelo da companhia mineira preserva uma parcela maior da renda operacional dentro da base regulatória ao longo dos ciclos de transição.
O mecanismo de compartilhamento de eficiência operacional com os usuários é progressivo: 25%, 50%, 75% e 90%, a partir da quarta, quinta, sexta e sétima revisões tarifárias, respectivamente.
“O arcabouço regulatório da Copasa incorpora diferenças estruturais no mecanismo de compartilhamento de eficiência que preserva maior parcela da renda operacional dentro da base regulatória ao longo dos ciclos de transição”, afirmam os analistas.
TIR real de 11,8% reforça atratividade do papel
Além da valorização esperada, o Santander destaca que a ação negocia atualmente a uma taxa interna de retorno real de 11,8% — nível que o banco considera atrativo no contexto atual de juros elevados.
O modelo revisado também incorpora novas premissas de capex para o ciclo de universalização do saneamento e as projeções macroeconômicas mais recentes do banco.
“2026 é um ano transformacional para a Copasa, com a homologação da 3ª Revisão Tarifária, a assinatura do novo contrato de concessão de longo prazo com Belo Horizonte e a conclusão do processo de privatização”, concluem Sampaio, Lima e Herrero.
Papeis em queda
As ações da Copasa tombam mais de 7% nesta quarta-feira (27) após mudanças no processo de privatização.
A privatização da Copasa deverá passar por ajustes no processo de oferta de ações conduzido pelo Governo de Minas Gerais. A companhia informou ao mercado que algumas condições da oferta pública secundária de ações ordinárias poderão ser modificadas após a identificação de fatores supervenientes ao longo da operação.
A comunicação ocorre em meio à sequência de fatos relevantes e comunicados divulgados pela estatal desde novembro de 2024 sobre a estruturação da oferta.
Alterações ainda serão avaliadas
Segundo a Copasa, o pedido de registro da operação foi protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 20 de maio. A oferta envolve ações da companhia pertencentes ao Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.
As possíveis alterações na operação ainda deverão ser avaliadas pelo Comitê de Coordenação e Governança de Estatais. Caso sejam aprovadas, as mudanças serão incorporadas ao prospecto preliminar e aos demais documentos da oferta, que serão reapresentados ao mercado juntamente com um novo cronograma da operação.






