A Anthropic, startup americana criadora da inteligência artificial Claude, está prestes a entregar um resultado que pode mudar a percepção do mercado sobre todo o setor de IA.
Segundo análise dos analistas Guilherme Bellizzi Motta e Silvio Dória, do banco Safra, com base em reportagem do Wall Street Journal, a empresa deve gerar aproximadamente US$ 11 bilhões em receita no segundo trimestre de 2026 — valor que já supera toda a receita do ano de 2025 e deve marcar o primeiro trimestre com lucro operacional na história da companhia.
No primeiro trimestre, a receita havia sido de US$ 4,8 bilhões. “A passagem do primeiro para o segundo trimestre efetivamente dobra o ritmo de receita trimestral em um único período”, apontam os analistas.
Crescimento sem precedentes no setor de tecnologia
Para contextualizar a magnitude do avanço, o Safra faz uma comparação reveladora com as maiores histórias de crescimento do setor de software da última década.
“As empresas SaaS de maior destaque dos últimos dez anos — Palantir, Snowflake e Databricks — cada uma levou aproximadamente dez anos para atingir uma receita anual comparável ao que a Anthropic está adicionando em um único trimestre”, destacam Bellizzi Motta e Dória.
O crescimento reflete a monetização bem-sucedida de casos de uso corporativos, em que empresas têm demonstrado alta propensão a consumir mais capacidade computacional à medida que os modelos ficam mais capazes.
O fim do argumento circular sobre o capex em IA
O resultado tem implicações que vão muito além dos números da própria Anthropic. Um dos principais argumentos dos pessimistas sobre o ciclo de investimentos em IA era o de que os fluxos de capital eram circulares: os hyperscalers investem em infraestrutura, os laboratórios de IA consomem essa infraestrutura e se financiam por meio de captações externas, e parte desse capital vem dos próprios investidores dos hyperscalers — criando um loop sem âncora real de demanda externa.
“A Anthropic atingindo lucratividade operacional pode refutar esse argumento. O caixa que agora cobre suas compras de computação está sendo gerado por contratos corporativos pagos por clientes externos”, afirmam os analistas Guilherme Bellizzi Motta e Silvio Dória.
Backlog dos hyperscalers ganha nova qualidade
A mudança de status da Anthropic — de consumidora de capital para geradora de caixa — também altera a leitura dos contratos bilionários que a empresa mantém com as grandes plataformas de tecnologia.
A Anthropic representa hoje aproximadamente US$ 30 bilhões no backlog da Microsoft, mais de US$ 200 bilhões em compromissos de longo prazo com o Google via TPU, um contrato de US$ 100 bilhões com a Amazon para chips Trainium e um acordo separado de US$ 45 bilhões por três anos com a SpaceX, revelado no prospecto de IPO recentemente divulgado.
“Quando o principal cliente ainda queimava caixa, a qualidade do backlog estava mais vinculada ao ciclo de captação. À medida que esse cliente passa a gerar caixa, o consumo passa a ser sustentado pelos fundamentos reais do negócio”, concluem os analistas do Safra.






