A Cemig (CMIG4) reportou resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, pressionada por perdas no braço de trading de energia em um ambiente de preços elevados no mercado de curto prazo.
O Ebitda ajustado — excluindo o resultado de equivalência patrimonial — somou R$ 1,77 bilhão, estável na comparação anual, mas 10% abaixo da estimativa de R$ 1,96 bilhão do BTG Pactual.
“Os resultados foram prejudicados por uma perda de R$ 161 milhões no braço de trading, decorrente de uma posição vendida em energia coberta a preços elevados e por um GSF mais baixo, de 0,92, ante 1,08 no primeiro trimestre de 2025″, afirmam os analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz.
G&T bem abaixo das estimativas
A divisão de geração, transmissão e trading registrou Ebitda ajustado de R$ 618 milhões — bem abaixo da estimativa de R$ 889 milhões do BTG e queda de 19% anual.
O problema não é pontual. O balanço energético atualizado da Cemig mostra posição vendida de 74 MW médios em 2027 e 223 MW médios em 2028, o que representa risco continuado caso os preços de energia permaneçam elevados nos próximos períodos.
“O balanço energético atualizado mostra que a Cemig ainda tem posição vendida de 74 MW médios em 2027 e 223 MW médios em 2028”, alertam os analistas — sinalizando que o risco de novas perdas em trading não está completamente mitigado.
Distribuição salva o trimestre
Entretanto, o braço de distribuição trouxe alívio relevante.
O Ebitda ajustado da divisão somou R$ 945 milhões, superando em 8% a estimativa do banco e avançando 27% na comparação anual. O resultado foi beneficiado por menor custo com plano de pensão, reajuste tarifário de 7,78%, nova metodologia de perdas de energia e redução nas provisões para contingências.
“A distribuição entregou bons números, impulsionada por menores custos com plano de pensão, o reajuste tarifário e a nova metodologia de perdas de energia”, destacam Junqueira, Gushiken e Schutz.
Na última linha, o lucro líquido de R$ 979 milhões ficou em linha com a estimativa do BTG, beneficiado por despesas financeiras líquidas e alíquota de impostos abaixo do projetado. A alavancagem subiu de 2,3 para 2,45 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado na comparação trimestral.
O banco tem recomendação neutra às ações, com preço-alvo de R$ 13,60.
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