A Irani (RANI3) sinalizou ao mercado que pretende acelerar seu crescimento nos próximos anos com uma estratégia baseada em expansão industrial, ganho de eficiência operacional e aumento de participação no setor brasileiro de papelão ondulado. Durante o Investor Day 2026, a companhia detalhou novos projetos de investimento voltados tanto à ampliação de capacidade quanto à modernização de suas operações, reforçando a aposta no avanço estrutural da demanda por embalagens sustentáveis no país.
A avaliação de analistas da XP é de que a empresa entra em um novo ciclo de crescimento de forma disciplinada, sem comprometer sua estrutura financeira. O banco destacou que os projetos apresentados mostram uma combinação entre expansão seletiva de capacidade, foco em retorno sobre capital investido e manutenção da remuneração aos acionistas.
Um dos principais pilares da estratégia apresentada pela companhia é o projeto Gaia XII, que prevê investimentos próximos de R$ 450 milhões. A iniciativa será direcionada principalmente à operação de papel em Minas Gerais e inclui a substituição da atual caldeira movida a gás natural por uma estrutura de biomassa, medida que deve reduzir custos operacionais ligados à geração de vapor e também diminuir emissões de carbono.
Expansão
Além do ganho de eficiência energética, o Gaia XII prevê expansão de aproximadamente 36 mil toneladas na capacidade de produção de papel para embalagens. O volume representa cerca de 30% das vendas da companhia nesse segmento em 2025, segundo projeções mencionadas pela XP.
A companhia também reforçou sua ambição de ampliar significativamente sua presença no mercado brasileiro de papelão ondulado. Hoje, a Irani detém cerca de 4% de market share no setor, mas a meta de longo prazo é alcançar aproximadamente 8% até 2034.
Para sustentar esse avanço, a empresa aposta na Plataforma Neos, considerada pela XP como o principal vetor de crescimento estrutural da companhia para a próxima década. O projeto será baseado em fibra reciclada e prevê capacidade incremental de cerca de 240 mil toneladas até 2034 — volume superior às vendas totais de aproximadamente 170 mil toneladas registradas pela empresa em 2025.
Segundo o relatório, a mudança estratégica para fibra reciclada é vista de forma positiva pelo mercado porque reduz a necessidade de investimentos intensivos em ativos florestais e elimina ciclos biológicos longos típicos da produção baseada em madeira. Isso tende a acelerar a entrada de novas capacidades produtivas e pode elevar o retorno sobre o capital investido ao longo do tempo.
A expansão da Plataforma Neos inclui novas unidades industriais, entre elas a chamada Embalagem 3, com capacidade estimada em 120 mil toneladas anuais. A fábrica poderá ser instalada no sul de Minas Gerais ou no sudeste de São Paulo, regiões consideradas estratégicas pela companhia em termos logísticos e de acesso ao mercado consumidor.
Na visão da XP, outro ponto relevante é a forma como a Irani vem conduzindo sua política de alocação de capital. A companhia reiterou que pretende manter a alavancagem em até 2,5 vezes dívida líquida sobre Ebitda. Caso esse indicador ultrapasse o limite definido, o payout aos acionistas poderá cair para 25%. Em cenários abaixo desse patamar, a distribuição deve permanecer em 50%.
O banco avalia que o cronograma gradual de investimentos reduz o risco de deterioração financeira no curto prazo e preserva a flexibilidade da companhia para continuar distribuindo caixa aos investidores enquanto executa seus projetos de crescimento.
Além disso, o cenário setorial também é visto como favorável. O mercado brasileiro de papelão ondulado mantém trajetória historicamente consistente de crescimento, impulsionado pelo avanço do comércio eletrônico, maior demanda por embalagens sustentáveis e consolidação gradual da indústria.
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