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BTG Pactual reforça posição defensiva e atualiza carteira de ações para agosto

BTG Pactual reforça posição defensiva e atualiza carteira de ações para agosto

Relatório do BTG Pactual avalia que boa parte dos riscos fiscais já está refletida nos preços dos ativos e promove mudanças na carteira recomendada para agosto

O BTG Pactual promoveu mudanças em sua carteira recomendada de ações para agosto ao avaliar que grande parte dos riscos fiscais do Brasil já está incorporada aos preços dos ativos.

Segundo a análise, o Ibovespa negocia em níveis considerados atrativos, embora o cenário macroeconômico ainda exija cautela. Por isso, a carteira recomendada foi ajustada para equilibrar potencial de valorização e proteção em um ambiente marcado por incertezas relacionadas às contas públicas e ao ciclo eleitoral.

Cenário fiscal continua no radar dos investidores

Na avaliação do BTG Pactual, as taxas de juros reais de longo prazo próximas de 8% indicam que o mercado já precifica um cenário de pouca melhora para as contas públicas brasileiras. O relatório destaca que os ativos locais incorporam uma parcela significativa do risco fiscal, especialmente as ações e os títulos de longo prazo, enquanto o real ainda não refletiria totalmente esse contexto.

O banco considera que a condução da política fiscal será determinante para o comportamento do mercado nos próximos meses. Caso haja sinais de maior disciplina fiscal, mesmo que modestos, os juros de longo prazo podem recuar, favorecendo empresas mais sensíveis à queda das taxas. Por outro lado, uma continuidade da expansão dos gastos públicos tende a manter a volatilidade elevada e pressionar diferentes classes de ativos.

Além disso, a instituição observa que o ambiente econômico brasileiro combina baixo desemprego, capacidade produtiva limitada e famílias mais endividadas, fatores que reduzem o espaço para estímulos fiscais sem impactos inflacionários. Nesse contexto, o comportamento do Ibovespa continuará diretamente ligado às expectativas sobre política econômica.

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Carteira recomendada ganha perfil mais equilibrado

Para agosto, o BTG Pactual decidiu reforçar o caráter defensivo da carteira recomendada. Entre as principais alterações está a entrada da Copasa (CSMG3), ampliando a exposição ao setor de utilities, e da Gerdau (GGBR4), aumentando a participação de empresas com receitas ligadas ao dólar.

Para abrir espaço às novas posições, Ambev (ABEV3) e Allos (ALOS3) deixaram a seleção de ações do banco. Outra mudança importante foi o aumento da participação da Petrobras (PETR4), que passou de 10% para 15% da carteira. Segundo o relatório, a decisão amplia a exposição ao petróleo, ao câmbio e ao potencial de distribuição de dividendos.

Com os ajustes, a carteira recomendada passa a concentrar 35% em empresas de infraestrutura e utilities, 20% em companhias beneficiadas pela valorização do dólar, 15% no setor financeiro, 15% em Petrobras, 10% em construtoras voltadas ao segmento de baixa renda e 5% em tecnologia, por meio da Totvs.

Estratégia busca equilíbrio entre risco e oportunidade

O BTG Pactual afirma que a nova composição foi desenhada para enfrentar diferentes cenários econômicos. Se houver melhora das expectativas fiscais e queda dos juros de longo prazo, empresas de infraestrutura, utilities, bancos e construção civil tendem a apresentar desempenho superior, favorecendo cerca de 60% da carteira.

Em um cenário menos favorável, marcado por deterioração fiscal ou aumento das incertezas, a exposição ao dólar, representada por Embraer (EMBJ3) e Gerdau, além da participação ampliada em Petrobras, funcionaria como elemento de proteção para os investidores.

O relatório também ressalta que, embora o Ibovespa esteja sendo negociado com múltiplos considerados atrativos em comparação ao histórico, a comparação com os juros elevados torna o investimento em ações menos evidente. Ainda assim, o banco avalia que boa parte das notícias negativas já está refletida nos preços, o que pode abrir espaço para uma recuperação caso ocorram avanços, ainda que graduais, na condução da política fiscal.

Empresas que compõem a carteira de agosto

A carteira recomendada do BTG Pactual para agosto reúne Petrobras, Itaú Unibanco (ITUB4), Axia (AXIA3), Embraer, Eneva (ENEV3), Gerdau, Motiva (MOTV3), Copasa, Totvs (TOTS3) e Cury (CURY3).

De acordo com o banco, a distribuição dos ativos procura combinar geração de dividendos, proteção cambial, exposição a setores resilientes e potencial de valorização, permitindo navegar com maior equilíbrio em um momento de elevada incerteza para o mercado brasileiro de ações.