A SLC Agrícola (SLCE3) atravessa um momento de fundamentos mistos no curto prazo, com pressão cambial e incertezas sobre preços de commodities, mas mantém uma perspectiva positiva no longo prazo. A avaliação consta em relatório do BTG Pactual (BPAC11), que reiterou recomendação de compra para as ações da empresa agrícola, destacando a qualidade do modelo de negócios da companhia e sua estratégia de expansão contracíclica.
Segundo o banco, a empresa vem ampliando sua área plantada em um momento de preços agrícolas mais fracos, aproveitando oportunidades de aquisição e arrendamento de terras. Em 2025, a companhia assinou novos contratos, comprou e vendeu propriedades e reorganizou parcerias agrícolas, garantindo uma expansão potencial de cerca de 100 mil hectares. Esse movimento pode levar a um crescimento de aproximadamente 14% na área cultivada na próxima safra.
O BTG avalia que essa estratégia contracíclica — investir quando a rentabilidade do setor está pressionada — é parte central da criação de valor da companhia no longo prazo. Em 2025, a empresa destinou R$ 1,7 bilhão em investimentos (capex), sendo cerca de 68% voltados à expansão de operações, o que resultou em consumo de caixa de aproximadamente R$ 930 milhões no período.
Apesar da estratégia consistente, o cenário de curto prazo apresenta desafios. O relatório destaca que o câmbio continua sendo um fator adverso para a empresa, enquanto os fundamentos globais de algumas commodities agrícolas ainda não são totalmente favoráveis. Para certas culturas, a expectativa é de aumento nos estoques globais neste ano, com a oferta ainda superando a demanda.
Ciclo de rentabilidade
Mesmo assim, os analistas avaliam que o setor pode entrar em uma fase mais favorável para os produtores. A leitura é de que o ciclo de rentabilidade tende a migrar gradualmente dos processadores para os produtores agrícolas, movimento que pode beneficiar empresas com escala e eficiência operacional, como a SLC.
Além disso, a companhia segue apresentando forte capacidade de geração de caixa no longo prazo e histórico consistente de crescimento de dois dígitos, fatores que reforçam a visão positiva sobre o papel.
Ainda que a ação não seja considerada particularmente barata nos níveis atuais — negociando a rendimentos intermediários de fluxo de caixa livre projetado — o banco avalia que a empresa permanece como uma das principais apostas estruturais do agronegócio brasileiro no mercado acionário.






